A crise ucraniana, iniciada há mais de um ano, instigou novamente as velhas rivalidades entre Este e Oeste, que nunca haviam realmente partido, e que apenas se tornaram por demais evidentes quando os interesses entre as grandes potências se sobrepuseram demasiado. Em resposts ao que desde o início foi descrito pelo Ocidente e pelos principais analistas mundiais como uma agressão russa no Leste da Europa, as nações da NATO colocaram uma série de sanções económicas sobre Moscovo que prejudicaram severamente a sua economia. Entretanto, a queda a pique dos preços do petróleo apenas exacerbou ainda mais as preocupações económicas do Kremlin, que se viu forçado a tomar medidas desesperadas para manter a relevância política e económica. No entanto, este fim-de-semana o rublo sofreu um leve ressurgimento, para alívio do governo de Vladimir Putin.

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As razões para a recuperação súbita do rublo são diversas. O valor do petróleo finalmente estabilizou, algo de extrema importância para um país que está tão dependente da economia energética. A crise sempre em expansão do Médio Oriente poderá ter alguma responsabilidade por esse desenrolar dos eventos, sobretudo agora que a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo, se envolveu numa guerra que se avizinha longa com os rebeldes iemenitas.

Entretanto o cessar-fogo ucraniano mantém-se, apesar da tensão e dos tiroteios ocasionais. O Presidente Petro Poroshenko tem tido problemas em controlar algumas das milícias criadas para fazer frente aos rebeldes pró-russos, que em muitos casos não se declaram dispostas a ceder o território agora sob controlo russo. Convém lembrar que Poroshenko havia anunciado que não cederia nem mais 1 centímetro da Ucrânia após a tomada da Crimeia pelo Kremlin.

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Um claro exemplo deste desafio à autoridade pelas milícias ucranianas prende-se com o bilionário Igor Kolomoisky, que pagou pessoalmente pela formação da sua própria milícia. Apesar de ter finalmente rescindido da sua posição como governador da região de Dnipropetrovsk, o caso de Kolomoisky relembra claramente que nada está ainda definido para a Ucrânia.

Em todo o caso, a acalmia em Donbass dá à fragilizada economia russa algum espaço para respirar. A época do pagamento de impostos também trouxe algum dinheiro aos cofres estatais e Vladimir Putin já havia prometido amnistia a empresários e políticos com contas no estrangeiro, esperando que a colocação dessas somas em bancos nacionais possa enriquecer ainda mais a economia russa. Esta proposta está ainda em estudo no Kremlin, contudo. A inflação continua pelos 17 por centro, e o Produto Interno Bruto mantém as perdas na ordem dos 3 por centro, que embora não sejam tão más como previsto anteriormente, continuam a ser danosas. A recessão mantém-se, e a economia da Federação Russa continua vulnerável, apesar dos parcos sinais positivos.   #Política Internacional