No passado sábado,  a TSF retransmitiu a entrevista a Ferreira do Amaral, que defendeu que única saída para combater o desastre económico que "gerou enormes e dramáticos danos colaterais" em Portugal é a saída do Euro. Ferreira do Amaral é conhecido por ser um argumentativo crítico da moeda única, mesmo antes da aprovação e da adesão de Portugal ao Euro. O economista defendeu na TSF, em 2012, que a única possibilidade de Portugal ultrapassar a crise económica é a soberania financeira, isto é, a saída do euro.

Ferreira do Amaral sustentou a sua tese nos seguintes argumentos: Portugal é um dos países com a maior dívida pública e privada da Europa; e a única maneira de solucionar este défice económico é fazer crescer a produção e gerar riqueza; mas para gerar produção é preciso limitar as importações desvalorizando a moeda. Ora, Portugal não pode desvalorizar uma moeda que não é sua, logo está armadilhado nesta solução pelo Euro. Por isso, a única solução é sair do Euro, criar a sua moeda soberana, portuguesa, e desvalorizá-la internacionalmente para limitar as importações e aumentar a procura interna de produtos nacionais e, assim, fazer aumentar a produção e a riqueza interna de Portugal, argumentou Ferreira do Amaral. Na entrevista foi indagado acerca de políticos que possam ter esta opção como um programa político, Ferreira do Amaral respondeu não haver nenhum. E mesmo acerca das críticas aos políticos e à Europa do contundente Marinho Pinto, o economista referiu "se não defende a saída do euro, Marinho Pinto não merece credibilidade".

A tese da crítica e saída do Euro não é novidade no economista, que atempadamente exigiu referendo ao Euro e advertiu para o cenário da triste realidade dos supra-divulgados países que o euro arruinou: o Club Med (Portugal, Espanha, Itália, Grécia). É cada vez credível a a tese dos euro-cépticos que apontavam que as fragilidades estruturais dos estados membros mas na forma de federalizar a economia sustentada numa moeda e fiscalidade única. A realidade está hoje a dar razão aos críticos do euro. Não é por acaso que os países mais ricos e sustentáveis da Europa são os que estão fora da Zona Euro, a Inglaterra e a Suíça.

Ferreira do Amaral comentou ainda que o desemprego nesta economia federal vai continuar a aumentar porque não se gera suficiente riqueza interna nem produção que crie postos de trabalho. Esta tese vai ao encontro dos dados actuais que estão a ser divulgados no site de actualização económica e política X22Report, que refere que a taxa média europeia de desemprego é de 30%, - desemprego real, que conta como desempregados todos os desempregados em formação, estagiários, voluntários e outros sem descontos legais. O X22Report divulga também que o desemprego juvenil no Club Med é em média de 50%.

A entrevista foi realizada em 2012, mas a TSF retransmitiu-a no passado fim-de-semana, dada a sua actualidade, pertinência e visão antecipada dos cenários, quando a Grécia era já uma das preocupações na Europa.