Ulrich não concorda com a resolução do BES e espera que as autoridades tenham imposto um limite para eventuais perdas com a venda do Novo Banco. Num comunicado, Fernando Ulrich, presidente do BPI, referiu que, caso não se tenha estabelecido limite nenhum, e se os outros #Bancos tiverem de suportar todas as eventuais perdas, independentemente das suas dimensões, será forçado a concluir que "as autoridades portuguesas decidiram jogar à roleta com a estabilidade do sistema financeiro português", diz. O presidente do BPI fez fortes críticas à forma como o BCE cortou a liquidez ao BES, forçando a sua queda. Ulrich diz não compreender a razão pela qual o BCE foi tão hostil com o BES e tão cordial e "simpático" com alguns bancos da Grécia. Confessa, ainda, que lhe faz alguma confusão como foi possível um tratamento tão violento para um dos principais bancos de Portugal.

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Segundo o presidente do BPI, a Troika também tem grandes responsabilidades neste processo. Depois de tantos planos de recapitalização e testes aos bancos portugueses, o banco que não precisava de capital público "estourou", sendo que a Troika não teve conhecimento disso no momento devido. Recuando alguns anos, Ulrich refere que havia sinais públicos de que algo não estava correto com o banco e com o grupo Espírito Santo. Nos últimos doze anos, o banco Espírito Santo mobilizou cerca de quatro mil e setecentos milhões de euros, em aumentos de capitais por entrada de dinheiro fresco e apenas destruiu mil e quatrocentos milhões de euros. Para Ulrich, este é um claro indício de que valeria a pena compreender melhor o que, realmente, se passava no Banco Espírito Santo.

O Presidente do BPI revela ainda que falou de sinais como estes a Vítor Gaspar, revelando-lhe a sua preocupação com o GES e o BES.

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Sobre o BES Angola, Ulrich mostrou-se convencido de que a garantia prestada pelo Estado angolano foi uma solução para conseguir ganhar tempo, porque, nas palavras do Ulrich, "se nada fosse feito, o BES e o BESA estoiravam os dois, com os resultados de 2013".