A semelhança de linhas com as dos modelos originais não é mera coincidência. Por fora são sem dúvida bastante parecidos, mas existe a dúvida que o mesmo seja verdade ao levantar o capot. Diversos fabricantes mundiais têm tentado impedir a comercialização destes modelos fora da China. Em 2014 a China produziu cerca de 19 milhões de veículos, entre modelos originais e "cópias" de qualidade duvidosa e de total desrespeito pela propriedade intelectual. Os fabricantes locais aproveitam o facto de este tipo de "clonagem" não ser penalizada pelas autoridades chinesas. São cópias de carros europeus, japoneses e americanos, que são vendidas com sucesso no mercado asiático.

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Por exemplo, a marca chinesa Land Wind lançou o modelo X7, um veículo que é em tudo semelhante ao luxuoso Range Rover Evoque da marca britânica Land Rover. Enquanto na China o modelo original da Land Rover custa cerca de 43 mil euros, a versão da Land Wind custa apenas 17 mil. Lançado oficialmente no Salão de Guangzhou, na China, o LandWind X7 provocou surpresa e reações negativas por ser uma cópia do Range Rover Evoque.

Os direitos de Propriedade Intelectual do Evoque pertencem à Jaguar Land Rover, fabricante que tem investido na China para produzir o Evoque localmente em parceria com o fabricante chinês Chery.

Mesmo assim, a China representa 24% das vendas globais da Land Rover. Atualmente a China é o terceiro maior fabricante mundial de automóveis e 95% dos carros vendidos na China são fabricados no país, na grande maioria por joint-ventures entre empresas estatais e fabricantes ocidentais.

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A China pretende que os modelos originais também possam ser comercializados no mercado europeu. Para isso os fabricantes chineses têm investido no recrutamento de alguns dos principais profissionais ocidentais, especialmente no mercado europeu.

Ainda são muito poucos os fabricantes chineses que obtiveram resultados positivos nos testes de choque EuroNCAP. Também são poucos os que produzem à altura das restritas exigências do mercado europeu, em termos de segurança e de emissões de gases poluentes, mas será uma questão de tempo para que as marcas chinesas concorram na UE.

Enquanto isso, ocorre um crescimento na comercialização de veículos chineses nos mercados da América do Sul, especialmente no Brasil. No segmento de carros elétricos, as marcas chinesas de automóveis estão sob pressão por parte do Estado para lançarem seus próprios modelos em termos de qualidade e inovação.

Aproveitando os tempos de crise existem possibilidades de sucesso para os carros originais, fabricados na China, e estes podem chegar a baixo custo ao mercado europeu. Os fabricantes chineses querem desenvolver produtos e estratégias para concorrer na Europa, da mesma forma que as marcas europeias concorrem no mercado chinês.

Depois de o comércio mundial ser invadido pelo vestuário, brinquedos, artigos eletrónicos, etc... será que chegou a vez dos automóveis chineses? #Negócios