O ex-presidente do antigo BES, Ricardo Salgado, foi ontem ouvido na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em Lisboa. A audiência aconteceu cerca de nove meses depois do início do processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo, a pedido da FINMA, autoridade suíça de regulação dos mercados financeiros.

António Ricciardi, chairman do Grupo Espírito Santo, também será ouvido no âmbito deste processo que, ao que tudo indica, tem por base uma queixa-crime movida por um cliente contra o Banque Privée Espírito Santo, em processo de liquidação na Suíça.

Além de Ricardo Salgado e António Ricciardi, outros membros da família deverão estar na mira das investigações do regulador suíço, como são os casos de José Manuel Espírito Santo e Manuel Espírito Santo Silva, ambos antigos gestores do Banque Privée.

Publicidade
Publicidade

O objetivo destas inquirições é o de apurar o papel do banco na distribuição de papel comercial e produtos financeiros do Grupo Espírito Santo, além da queixa-crime movida contra a administração executiva e não executiva do banco suíço.

O Banque Privée encontra-se em processo de insolvência desde setembro do ano passado e, à semelhança do que aconteceu com o BES em Portugal, foi dividido num "banco bom" e num "banco mau". A insolvência teve como objetivo proteger os depositantes depois de detetado um sobreendividamento do banco, que já se encontrava, desde julho, em processo de liquidação voluntária. Parte do Banque Privée Espírito Santo foi então alienada à Compagnie Bancaire Helvétique.

A decisão do Grupo Espírito Santo de avançar com a liquidação do banco suíço provocou uma reavaliação dos ativos do Banque Privée para criar um volume de provisões capaz de dar resposta aos custos e, desta forma, garantir a manutenção da operação.

Publicidade

O jornal Público refere que em setembro do ano passado a FINMA deu a saber que "o capital do banco suíço já não era suficiente" e excluiu a possibilidade da instituição ser recapitalizada pelos acionistas, dada a insolvência das empresas do Grupo Espírito Santo.

Pretende-se agora garantir o pagamento dos depósitos até 100 mil francos suíços (cerca de 83 mil euros). #Negócios #Bancos