A revelação de que Ricardo Salgado terá forjado contas do BES numa folha de excel foi feita em Janeiro numa reunião da Comissão de Inquérito, quando, à porta fechada, o contabilista do grupo Espírito Santo foi ouvido e contou sobre o que sabia relativamente ao colapso e contas do banco das empresas do universo Espírito Santo. Machado da Cruz, o contabilista, tornou público a forma como era feita a contabilidade paralela no GES. De acordo com uma notícia do jornal Observador, havia um documento com os dados da real situação financeira da empresa Espírito Santos Internacional (ESI) que era atualizado todos os meses. Pelo que foi apurado, as contas oficiais, que se encontravam nesse mesmo documento, e que escondiam o buraco da empresa Espírito Santo Internacional, foram criadas pelo próprio Ricardo Salgado.

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Através de uma folha de excel encontrada no seu escritório, pôde-se compreender que Salgado forjou as contas e, num momento posterior, deu ordens diretas para que fosse tratado como um erro.

O contabilista Machado da Cruz assumiu perante os deputados que não poderia, de forma alguma, contrariar o pedido do seu superior. Contudo, nesta audição, ficou claro que a ocultação do passivo começou em 2008 e foi feita a pedido de Ricardo Salgado, e que este também deu instruções claras e diretas para ser dito publicamente que se tratava de um engano. Pelo que foi apurado, o procedimento das contas forjadas foi repetido diversas vezes. Quando questionado sobre a entrega da folha de excel, o contabilista referiu que estaria num computador na Suíça e pouco mais adiantou.

Na verdade, a contabilidade verdadeira de todas as holdings do grupo constava, todos os meses, num relatório que era enviado não só a Ricardo Salgado como a José Castela, controller financeiro do GES.

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Estas revelações constaram do relatório da comissão de inquérito divulgado esta semana, ainda que tenham sido omitidas as partes que estão sob sigilo ou segredo de justiça, como fez saber Fernando Negrão, responsável pelos trabalhos. #Bancos