A dura e longa crise que se manifestou em 2008 tem provocado fortes efeitos nos vários sectores, obrigando muitas empresas portuguesas a reorganizarem os seus #Negócios ou até a derivarem para novas abordagens, que lhes permitam manter a sustentabilidade. O sector audiovisual não foge a esta realidade marcada por forte contracção das receitas publicitárias, principal fonte de proveitos. Há, no entanto, casos de sucesso que merecem alguma reflexão pelos resultados que apresentam. É o caso da BTV, canal do SL #Benfica, que nas últimas duas épocas assumiu a transmissão dos jogos das equipas de futebol profissional do clube e passou a ser pago pelos subscritores.

Criada em 2008, a Benfica TV depressa se assumiu como um importante veículo de comunicação do clube, permitindo aos adeptos um olhar mais profundo para a realidade desportiva e social dos encarnados. Transmissões de jogos das camadas de formação do futebol e das equipas das modalidades foram dando a conhecer muitas novas estrelas do universo benfiquista. No entanto, os resultados económicos nunca permitiram que o projecto tivesse grande impacto nas contas consolidadas do Grupo.

Depois de muitos anos de ligação, muitas vezes polémica, à Olivedesportos de Joaquim Oliveira, o Benfica deixou arrastar as negociações para a venda dos seus direitos de transmissão. Propostas e contra-propostas foram sendo noticiadas, com valores que para uns eram exagerados e para outros demasiado baixos, tendo-se fixado, segundo várias fontes, a derradeira oferta num valor de 105 milhões de euros por 5 anos (21 milhões por época), acima dos valores contratados com FC Porto e Sporting CP. Luís Filipe Vieira, apesar da situação difícil do clube e da SAD, manteve-se inflexível e, com a concordância da maioria dos benfiquistas, decidiu partir para a exploração própria das transmissões na época 2013-14.

Muitas foram as dúvidas sobre a viabilidade da solução e a forma de rentabilizar o negócio, nomeadamente pelo impacto que, em tempo de crise, teria a imposição de um custo para acesso ao canal. Para melhorar a sua oferta, a Benfica TV adquiriu os direitos de transmissão dos jogos da Premier League inglesa (7,5 milhões de euros por 3 épocas) e criou a Benfica TV2 para dar mais espaço a um campeonato que cativa muitos portugueses.

Em 1 de Julho de 2013 a Benfica TV passou a canal pago e o número de subscritores cresceu de forma acelerada nos meses seguintes (80 mil em 18 dias, 100 mil em 29 dias, 150 mil em 44 dias, 210 mil em pouco mais de 2 meses, mais de 300 mil em Fevereiro de 2014) à medida que se expandia por todos os operadores de #Televisão nacionais e muitos internacionais, em especial nos países de maior emigração portuguesa. Em Julho de 2014 passou a designar-se BTV (1 e 2) como forma de atrair subscritores adeptos de outros clubes.

O Relatório e Contas consolidado do Benfica, relativo de 2013-14 (encerra a 30 de Junho), apresentou um resultado líquido de 17,1 milhões de euros para a Benfica TV, cerca do dobro do que o clube recebia da Olivedesportos. Calcula-se que esse valor aumente significativamente no exercício que está prestes a encerrar pelo continuado aumento do número de subscritores (deixou de ser divulgado) e pelo aumento da receita com publicidade. O entusiasmo dos benfiquistas, patente nos festejos do Marquês, motivados pelas vitórias desportivas será uma das principais razões do fenómeno BTV, que é observado por muitos clubes internacionais que procuram rentabilizar os seus canais próprios.