O pior ano da história da PT SGPS levou a que a PT Portugal fosse vendida aos franceses da Altice, já no presente ano de 2015. Mas o mau desempenho da empresa não impediu que 2014 fosse também o ano em que os gastos com os seus órgãos sociais fossem os mais elevados da bolsa, revela o Observador. Entre salários, compensações e prémios passados a gestores e ex-administradores, a empresa gastou 14,3 milhões de euros. Contudo, o valor podia ter sido muito superior, se o investimento na Rioforte de 900 milhões de euros não se tivesse revelado ruinoso. Os três ex-administradores envolvidos no investimento (Henrique Granadeiro, Zeinal Bava e Luís Pacheco de Melo) foram impedidos de receber 15,3 milhões.

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Se não fosse o buraco do GES, a PT SGPS veria, assim, os seus custos com seus órgãos sociais crescer de forma muito mais expressiva.

Segundo a análise do Observador, relativamente à remuneração paga aos administradores pelas empresas do índice PSI 20, atualmente reduzido a 18, apenas cinco das 17 empresas que já divulgaram os seus relatórios e contas, pagara menos aos seus administradores em 2014. Sonae, NOS, Semapa, Portucel e Jerónimo Martins são as únicas empresas que reduziram os seus custos com os administradores. Isto significa que as restantes 12 viram os custos com a administração aumentarem. O BANIF é, neste momento, a única empresa que ainda não revelou as suas contas relativas ao ano passado.

Entre os motivos apontados pela publicação para estas variações, está a saída de administradores, aumentando os custos devido a compensações de saída ou indemnizações, e também o pagamento de bónus de gestão.

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O bom desempenho económico e financeiro da sociedade não tem de ser necessariamente o motivo por trás deste aumento de custos.

A PT foi a empresa da bolsa que mais dinheiro gastou em prémios, sendo que em 2014 as despesas com os administradores quase duplicaram comparativamente a 2013. Este aumento resulta dos motivos acima enumerados, à exceção da boa performance económica e financeira da sociedade. Foram mais de sete milhões de euros gastos em prémios, resultantes, sobretudo, da venda da Vivo, já em 2010, por 7500 milhões de euros.

Entre as empresas cujos gastos com a administração dispararam em 2014, destaque para o BPI e os CTT. Depois de reembolsar o Estado do capital aplicado durante o período em que a Troika esteve em Portugal, foi aprovado pelos órgãos de banco o pagamento dos valores que haviam sido cortados desde 2012, tendo gasto 6,7 milhões de euros.

Seguem-se os CTT, cuja fatura com salários da administração aumentou para os 2,1 milhões de euros. Entre os motivos apontados pelo Observador, encontram-se o alargamento do conselho de administração e a passagem da esfera pública para o capital privado. #Negócios