Em Portugal, de acordo com o Dinheiro Vivo, cerca de 19,6% dos portugueses (valor correspondente a um em cada cinco trabalhadores) ganham o salário mínimo que, neste momento, corresponde a 505 euros mensais. A economia portuguesa tem vindo a tornar-se cada vez mais competitiva devido à intervenção da Troika. De entre as medidas tomadas, a redução salarial foi aquela que foi adotada por várias organizações. Aumentaram assim os trabalhadores que recebem esta remuneração, visto que no ano de 2011 observou-se que somente 11,3% trabalhadores recebiam 485 euros (na altura a remuneração base).

Dados revelados pelo GEE (Gabinete de Estratégia e Estudos) no mês de outubro de 2014 revelam que cerca de 880 mil trabalhadores recebiam o salário mínimo. Estes registos demonstraram ainda uma desigualdade notável no que toca aos géneros: em outubro do ano passado foi revelado que, de entre os que ganhavam o salário mínimo, 25% eram mulheres e 15% homens. Antes das medidas da Troika, três anos antes, esse valor correspondia a menos de 345 mil, apesar de o valor salarial mínimo ser, nessa altura, mais baixo.

Ainda dentro do período de tempo abarcado anteriormente, os setores nos quais se notou um peso acentuado no que toca a pessoas que ganham o salário mínimo foram o alojamento e a restauração (registando esses setores valores correspondentes a 25,6%). Em segundo lugar vieram as indústrias transformadoras, mais especificamente as confecções (com 24,8%) e em terceiro lugar estiveram as atividades administrativas e serviços de apoio (registando 24,3%).

O presidente da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), António Saraiva, referiu em declarações ao Dinheiro Vivo que foram várias as organizações que, com o objetivo de evitar despedimentos, resolveram reduzir os salários. O responsável defende essas medidas, salientando que é preferível ser-se detentor de um emprego com o salário mínimo do que não ocupar qualquer forma de trabalho.

No entanto, Sérgio Monte, da UGT, declarou à mesma fonte que se observa uma outra tendência na qual os trabalhadores mais velhos e bem pagos são substituídos por trabalhadores mais jovens e com piores condições salariais. Armando Farias, pertencente à CGTP, salientou que é necessária uma mudança que envolve o aumento do valor do salário mínimo, acreditando que essa medida poderá ajudar à dinamização salarial, bem como no reforço das poupanças, na melhoria da economia portuguesa e ainda poderá ajudar no aumento do consumo privado.

A UGT relembrou ainda que o salário mínimo em Portugal é neste momento inferior ao da Grécia. Contudo, há a possibilidade de o valor atual poder vir a aumentar para 525 ou 530 euros. Pires de Lima, atual ministro da Economia, já confessou considerar essa medida desejável. A decisão oficial será tomada no último trimestre deste ano. #Negócios #Desemprego