Nos últimos dias a incerteza voltou a pairar sobre mais um dos maiores #Bancos privados portugueses. Depois de muita polémica sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sem sucesso lançada pelos espanhóis do CaixaBank em 2015 sobre o BPI, o final do primeiro trimestre de 2016 arranca com novas negociações entre os principais acionistas para tentarem chegar de vez a um acordo sobre a liderança do referido Banco. A principal diferença é que desta vez o CaixaBank e a Santoro, consórcio liderado por Isabel dos Santos, sentaram-se à mesa para negociar diretamente. Apesar da incerteza sobre o desfecho final, a resolução tem de ser rápida pois o BPI tem de responder ao Banco Central Europeu (BCE) até ao próximo mês de Abril, com uma solução sobre a sua exposição ao mercado financeiro angolano.

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Depois da Comissão do Mercado e Valores Mobiliários (CMVM) ter suspendido a transação de ações do Banco BPI no dia de ontem, até obter esclarecimentos sobre a especulação lançada sobre uma possível negociação entre o CaixaBank e a Santoro, o Grupo espanhol veio a público confirmar que se encontram de facto em negociação direta os dois maiores acionistas do Banco português. Desde 2015 que a relação entre ambos ruiu e até à data o futuro das operações do BPI continua um pouco ambíguo. Recordemos que o BPI tem até ao próximo dia 10 de Abril para resolver a sua exposição ao mercado angolano, caso contrário irá ser sancionado pelo BCE em mais de 5% do volume médio de negócios diários. Esta situação esta ligada ao facto do BCE ter alterado as regras de contabilização do risco da dívida soberana dos Bancos europeus neste país africano, sendo que passaram de contabilizar até 20% para contabilizar 100%, desde 2015.

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Com estas novas regras a exposição do BPI a Angola supera o máximo permitido em cerca de três mil milhões de euros, de acordo com informações do CaixaBI. Desta forma o BPI encontra-se em contrarrelógio para resolver o que fazer em relação às suas participações no Banco de Fomento Angola (BFA) onde detém 50,5% do capital, entre outras participações.

Depois da OPA falhada que o CaixaBank lançou para adquirir a maioria do capital do BPI, Isabel dos Santos tem bloqueado qualquer alternativa que venha a ser apresentada para a alienação de parte do BFA e o impasse tem durado até aos dias de hoje. Com a vinda a público, através do jornal Expresso, de que o #Governo de #António Costa possa vir a intervir nesta situação legislando as limitações dos direitos de voto em assembleia de acionistas das empresas cotadas em bolsa, o consórcio liderado por Isabel dos Santos viu-se obrigado a aceitar negociar diretamente com o Grupo espanhol, pois se a lei vier a ser promulgada o seu poder de veto às operações no mercado angolano nas assembleias de acionistas será drasticamente reduzido, em favor do CaixaBank.

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As ações do BPI já se encontram novamente a ser negociadas em bolsa, após terem sido prestados alguns esclarecimentos à CMVM sobre o ponto em que estão as negociações entre os, agora, dois concorrentes diretos pela liderança do BPI e nos próximos dias é provável que se chegue a acordo quanto à venda de parte do capital que o BPI detém sobre o BFA, onde Isabel dos santos é também parte integrante da estrutura acionista através da Unitel.