Os dados estatísticos dizem-nos que nunca os portugueses emigraram tanto como nos últimos quatro anos. As dificuldades sentidas para arranjar emprego e seguir uma carreira pela qual se estudou tantos anos, tem levado muitos a procurar a sorte noutros países. Numa época em que ter um curso não é sinónimo de emprego, os professores foram dos profissionais mais afectados pelas medidas de austeridade impostas pela Troika e reproduzidas pelo governo. Alguns ficaram por cá, sujeitos à instabilidade e incerteza de uma profissão que condiciona o presente e compromete o futuro; outros arriscaram e prosseguiram a vida onde lhes permitem sonhar.

Um dos destinos mais procurados pelos professores portugueses tem sido Londres. À capital inglesa chegam, todos os anos, centenas de docentes, que perderam a esperança no seu país e olham para cada obstáculo que aparece à chegada, com olhos de conquista, como se nada pudesse ser pior do que a situação que viveram nos últimos anos, no país que os viu nascer. Aqui sim, há emprego na área da #Educação. Mas não se pense que o caminho se faz sem dificuldades e contratempos. O início requer uma adaptação a uma realidade completamente diferente daquela que acabaram de deixar, tanto ao nível da metodologia pedagógica, como das relações entre professores e alunos, que é nitidamente mais fria e distante.

Uma solução temporária ou permanente?

O primeiro passo para quem chega é fazer o registo em agências de recrutamento na área da educação, que após confirmarem toda a documentação e terem um bom feedback das escolas portuguesas, colocam o professor disponível para trabalhar. Mas também aqui, o início é algo instável e incerto. Os primeiros meses ou anos em Londres, para um estrangeiro, passam por fazer substituições, dia a dia, sem a certeza que no dia seguinte haverá trabalho. Claro está que depois contam factores como o nível de inglês e as impressões passadas pelas escolas às agências de recrutamento, para que se tenha trabalho com maior ou menor frequência. Esta função é, de qualquer forma, bem remunerada e permite fazer uma vida razoável numa cidade que tem muito para oferecer e onde o facto de se ser estrangeiro não limita a construção de relações pessoais.

Aqueles que em Portugal não tinham emprego e se cansaram de enviar currículos sem receber qualquer resposta encontram aqui uma solução, quanto mais não seja provisória, para a sua vida. Já para os que olham para Inglaterra como uma solução a longo prazo e adoptam este país como um bilhete para o futuro, só um excelente desempenho profissional e a paciência de esperar o tempo que for preciso para aparecer a oportunidade que tanto esperam, os levará a alcançar os objectivos que trazem de Portugal e conseguir um contrato de trabalho como professor numa escola. #Desemprego