"Portugal está hoje no mapa da ciência europeia e mundial e isso é motivo de orgulho". Quem o diz é Carlos Fiolhais, co-autor do livro "Ciência e Tecnologia em Portugal - Métricas e Impacto (1995-2011) ", apresentado nesta segunda-feira no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.

O estudo, da autoria de Carlos Fiolhais e Armando Vieira, analisa a evolução da ciência em Portugal, com a criação do Ministério da Ciência, em 1995, como ponto de início. Nesse ano, o investimento em investigação e desenvolvimento representava 0,5% do Produto Interno Bruto nacional. Um dos indicadores favoráveis apontados pelo estudo foi o aumento desse investimento, que representou 1,5% em 2011. Nas palavras do professor catedrático, "Portugal está hoje no mapa da ciência europeia e mundial", apesar de continuar ainda muito longe da média europeia.

Carlos Fiolhais aponta a falta de investimento das empresas privadas na ciência e tecnologia como um dos problemas. "Em Portugal, pouco mais de cinquenta por cento é investimento do Estado e o resto é investimento privado", explica o catedrático, enquanto "em países mais desenvolvidos, dois terços são investimento privado e só um terço é que é público". O professor da Universidade de Coimbra associa esta falta de investimento à emigração de mão-de-obra qualificada. "Nós verificamos, infelizmente, que os jovens estão de facto a emigrar", um cenário que é negativo porque "aquilo que foi a aposta na formação de muitas pessoas está a ser aproveitado directamente por outros países", explica Carlos Fiolhais.

Por outro lado, o docente destaca o aumento de doutorados e do número de artigos científicos publicados como indicadores encorajadores, bem como o abrangente leque de áreas relacionadas com as ciências e tecnologias que é possível perseguir hoje em Portugal.

"Ciência e Tecnologia em Portugal - Métricas e Impacto (1995-2011) " pretende ser um retrato fiel da realidade portuguesa, ao estabelecer uma relação direta entre investimento na Ciência e crescimento económico. #Educação #Livros