A Finlândia já ocupa posições de excelência ao nível da matemática, línguas e ciência. Tem poucos rivais, apenas a oriente (Singapura e China), ao nível dos reconhecidos rankings de ensino mundial. É um caso de sucesso, de merecida atenção e estudo, na procura de um método de desenvolvimento capaz de saber inovar. É, acima de tudo, uma questão de mentalidade, enraizada na história de um país que, entre muitos exemplos de progresso, continua muito bem posicionado em comparações socioeconómicas, com índices únicos de qualidade de vida, bem-estar social, prosperidade, no contexto de cidades muito bem organizadas, limpas e seguras.

A autonomia é uma das máximas do país. Não basta só saber ler, há que completar, obrigatoriamente, o ensino escolar básico, dos 7 aos 16 anos. Todas as escolas são gratuitas, financiadas na totalidade pelo Estado, garantido a alimentação, o transporte e material escolar, durante estes 9 anos de ensino. Ser professor é possuir um estatuto de prestígio e a #Educação faz-se como um todo, onde se integram esforços de equipa entre os docentes, reitores, psicólogos e assistentes sociais. É um sistema de funcionamento muito bem oleado, com tarefas escolares à medida das necessidades de cada aluno, onde os apoios extras não deixam de ser doseados, porque o lazer também é privilegiado.

Há uma meta temporal, até 2020, quando se fala do revolucionário modelo de ensino que a Finlândia quer implementar. Esquecendo o método por disciplinas, procura-se centrar a atenção nas temáticas e desenvolver o processo de aprendizagem a partir daqui. Uma proposta mais transversal, mais próxima dos alunos e até "mais descontraída", se assim a quisermos apelidar. A aposta reside em aproximar os temas dos alunos e das suas realidades, procurando, o entrosamento de vários assuntos e, claro, maior interação e estímulo no ensino. De qualquer tópico escolhido para estudo, pode advir a incidência nas línguas, na geografia, na história, entre outros. Tal como explicou Pasi Silander, responsável pelo desenvolvimento da cidade de Helsínquia, ao jornal The Independent: "Aquilo de que precisamos agora é de um tipo de educação diferente que prepare as pessoas para o mercado de trabalho". Depois de Helsínquia, o objetivo é chegar a todas as cidades do país, até 2020.

E Portugal?

O sistema de ensino finlandês assenta em várias máximas, como sejam:

  • Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do diretor financeiro ou da porteira;
  • Todas as escolas são públicas e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, bem como alimentação;
  • As crianças têm um professor particular disponível, para os casos em que necessitem de apoio;
  • Nos primeiros anos de aprendizagem, as crianças não são submetidas a qualquer teste.

Encontramo-nos no primeiro ponto. Todavia, regista-se que são os filhos das famílias com empregos mais qualificados e, por isso, com mais recursos económicos, que conseguem melhores resultados. No nosso país, atenuar as diferenças entre os resultados escolares dos alunos, consoante o seu contexto familiar e económico, continua a ser uma tarefa difícil. Os filhos de trabalhadores qualificados, em oposição aos de trabalhadores manuais, têm sempre melhores notas. Obviamente, estamos a falar de uma acentuada desigualdade em termos de acesso a uma educação de qualidade. E, embora segundo a Constituição a educação seja um direito de todos, tal não tem como acontecer num estado que não se responsabiliza pelas despesas escolares e com financiamentos medíocres. Continua a haver um abandono escolar precoce, as propinas não deixam de ser elevadas, há um descontentamento geral no corpo docente, programas de ensino extensos e métodos que pouco estimulam os alunos.