Numa altura em que, cada vez mais, números e estatísticas são os objetivos prioritários, nem a #Educação parece fugir à regra como o demonstram as metas curriculares do 1º Ciclo para as disciplinas de Português e Matemática, uma das principais alterações introduzidas pelo atual ministro da Educação, Nuno Crato. O objetivo destas metas, entradas em vigor em 2012/2013, é a definição do que os alunos devem saber no final de cada ano escolar, tendo sido definida uma multiplicidade de objetivos gerais que se traduzem em descritores específicos, que se pretende sejam cumpridos pelos professores, de os ensinar e os alunos, de os apreender. A polémica, surge, exatamente, na quantidade destas metas, considerada excessiva, nas disciplinas de Português e Matemática para as quais se define um total de 177 objetivos e 703 descritores.

A petição online lançada por Vânia Azinheira, mãe de uma aluna do 2º ano de escolaridade surge, assim, em reação a estes objetivos que a mesma considera violarem os direitos de crianças com idades entre os 6 e os 10 anos de idade. No espaço de duas semanas, a petição pública recolheu já mais de 5000 assinaturas, estando assim apta para ser debatida no Parlamento. Numa carta aberta, esta mãe explica as razões que a levaram a dinamizar esta iniciativa. Acima de tudo, devido ao programa excessivo do 2º ano e respetivas metas curriculares, que tem como consequência os conteúdos programáticos serem basicamente "debitados a alta velocidade" para ser possível cumprir os objetivos estipulados, não permitindo, deste modo, que os alunos possam assimilar e consolidar os conhecimentos que deveriam ter sido adquiridos.

Este alerta, agora tornado público, já tinha sido anteriormente lançado por associações de professores de Português e Matemática em relação ao risco subjacente a estas metas curriculares e dos novos programas elaborados para as concretizar. A título de exemplo, no que diz respeito às de Português, estabelece-se que um aluno do 1.º ano seja capaz de ler com entoação e articulação razoavelmente corretas a uma velocidade de leitura de, no mínimo, "55 palavras por minuto". Já no 2º ano, esse número deve ascender quase ao dobro. Quanto à Matemática, um aluno do 1º ano deve saber utilizar de forma correta termos como "segmento de reta" ou "extremos do segmento de reta" e, no 2º ano, já saber contar até 1000 e utilizar frações.

Para a subscritora e para os já mais de cinco mil assinantes da petição, maioritariamente pais de alunos do do 1.º ciclo, os principais motivos que justificam a alteração das metas curriculares são o fato de as crianças estarem a deixar de ter tempo para brincar e a sentirem-se desmotivadas, havendo mesmo quem assegure que estas metas curriculares vão levar ao insucesso escolar. Para mais informações sobre a petição, consultar o site Petição Pública, peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT76773.