Cerca de 45% das licenciaturas oferecidas pelos Institutos Politécnicos e Universidades não poderão aumentar as vagas no próximo ano lectivo. O Ministério da #Educação e Ciência (MEC) já enviou às instituições de ensino superior a lista dos cursos que registam maiores taxas de #Desemprego. Esta medida afecta 454 cursos num universo de 1010 licenciaturas. São mais 26, em relação ao presente ano lectivo. Os números foram divulgados pelo jornal "Diário Económico".

Nos últimos anos tem-se assistido a uma diminuição do número de jovens que optam por prosseguir os estudos após a conclusão do ensino secundário, por falta de perspectivas profissionais após a obtenção do diploma ou por incapacidade de fazer face às despesas que um curso universitário exige. Apesar de haver uma grande oferta de cursos, nas mais diversas áreas, há alguns que têm tido poucas ou nenhumas candidaturas, enquanto outros veem todas as suas vagas preenchidas no final da primeira fase de candidatura.

Para elaborar a lista dos cursos que não podem aumentar as vagas, o MEC recorreu às estatísticas do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP); fazendo um levantamento das áreas de formação dos licenciados inscritos no IEFP. Sem surpresa, as áreas de estudo mais afectadas pelo desemprego são as Artes e Humanidades, cuja taxa de desemprego chega aos 50%. Os cursos de Arquivo e Documentação têm 16,1% de desemprego e os de Serviço Social, 15,5%. Já as licenciaturas em Medicina, Ambientes Naturais e Vida Selvagem, registam baixíssimas taxas de desemprego.

O MEC prepara-se também para encerrar alguns cursos, devido à falta de candidatos ou por terem menos de dez alunos inscritos, mas os cursos de artes do espetáculo e licenciaturas que, mesmo tendo menos de dez alunos, são únicas no país e na rede pública, não serão abrangidos por esta medida.

A implementação destas medidas não preocupa o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesa (CRUP). O presidente do CRUP declarou à "Rádio Renascença" que, em muitos casos, as instituições não pretendiam aumentar as vagas. O MEC pretende uma maior aposta nos cursos relacionados com as Ciências da Vida, Matemática e Informática.