Professores agredidos em salas de aulas, física e verbalmente. Quem não ouviu já alguns relatos? 

Em Portugal têm crescido de ano para ano os casos conhecidos, depois da mediatização do caso da aluna da Escola Carolina Michaelis, no Porto, que ficou conhecida pela rapariga do "dá-me o telemóvel já". Há uns dias atrás, no Brasil, também foi mediatizado o caso de um aluno que agride a professora, após esta o tentar obrigar a ficar na sala de aula. 

Mas será este um mal recente? 

Na realidade, agressões a professores por parte de alunos sempre existiram, mesmo em tempos onde a educação se regia pela "régua dos cinco olhinhos" e a cana que volta e meia ia de encontro à cabeça das crianças. 

A diferença está em três tópicos: 

  • o número real de agressões
  • o conteúdo da agressão
  • a mediatização

Nós “vivemos numa sociedade na qual o que não passa na media não acontece socialmente” (Nora cit. Góes, 2002, p. 16). Esta tem sido a máxima da sociedade contemporânea, principalmente marcada após a década de 60 com as mudanças dos valores ocorridas, que não deixaram para trás os inerentes à #Violência

Obviamente que se sabem de casos em que o aluno se exaltava com o professor e acabava por atirar com alguma coisa, ou até esbofeteando-o, mas esses casos eram abafados e o aluno corrigido imediatamente. Na maior parte dos casos essa correção implicava violência física sobre o próprio aluno, muito comum até ao 25 de Abril de 1974. 

Também se ouviam casos de agressões verbais, estas que ocupavam o tempo que demorava da cana até à cabeça do aluno. 

Mas efetivamente o número de casos alterou-se? Aumentou?

Não há números suficientes que comprovem tal facto. Sabe-se que atualmente, em média, um professor por dia é agredido em Portugal (tendo em conta o número de dias lecionados). Se antes os números eram tão elevados? Não sei responder. 

Efetivamente os professores estão cada vez mais sem poderes, sem "armas de arremesso". E isto poderá estar na causa da gravidade das agressões. O professor, mais do que não ter o poder de atacar (que também não é produtivo), não se pode defender. Então poderemos estar a falar numa nova onda de selva em ambiente de sala de aula. 

Há uma crise de valores a nível mundial que propicia este tipo de situações. A violência, no geral, está a aumentar. E sim, é por causa desta crise de valores que passamos, esta superficialidade que reina num mundo que vive, cada vez mais, em função de aparências. 

Talvez uma nova revolução dos anos 60? Uma nova revolução francesa? Qualquer outra revolução.. Mas que se revolucione...  #Ensino