Nos últimos anos, Portugal tem sido alvo de uma nova vaga de empreendedorismo jovem. Um desses exemplos é a Associação Inspiring Future (Inspirar o Futuro): um projeto que tem ajudado milhares de alunos finalistas inspirar os alunos finalistas a tomarem decisões mais conscientes em relação ao seu futuro, minimizando os erros na escolha dos seus próximos passos. Conversámos com um dos elementos da organização, André Couceiro, tem 23 anos e estuda na área de Marketing, que nos ajudou a perceber melhor como tudo funciona.

Sobre o projeto Inspirar o Futuro: como surgiu esta ideia?

Começo por fazer uma distinção entre a nossa marca. Somos uma Associação sem fins lucrativos: Inspirar o Futuro. Dentro da Associação temos vários projetos ligados à #Educação, o principal é o Popular Inspiring Future. Antigamente as universidades contactavam as escolas secundárias quando queriam divulgar a sua oferta formativa e a sua ida às escolas era algo pouco estruturado e que às vezes passava ao lado dos alunos dessas escolas. As universidades eram remetidas para um cantinho junto ao bar e ali ficavam com a sua banca. A ideia surgiu quando os fundadores deste projeto promoviam a instituição onde estudavam e perceberam que este processo podia melhorar muito. Existia um espaço em branco na partilha de informação entre as instituições de ensino superior, as escolas secundárias e os alunos destas escolas. Esta necessidade de centralização de informação levou-nos a fundar a Associação, que agora funciona como um mediador entre os players: alunos, escolas, universidades e empresas. Tudo começou com um orçamento muito reduzido e com a organização de feiras em 50 escolas secundárias. No ano seguinte já estávamos a inspirar os alunos de 80 escolas em 4 distritos (Lisboa, Leiria, Setúbal e Santarém). E este ano, o Popular Inspiring Future já começou a percorrer um total de 150 escolas por todo o país, levando as universidades e workshops relacionados com empreendedorismo, tomada de decisão e mercado de trabalho.

Sei que o vosso público-alvo é os jovens. Qual é o vosso objetivo?

Começámos com os finalistas do ensino secundário como público-alvo, mas com o passar do tempo, percebemos que podemos ajudar outras faixas etárias entre os #Jovens. No início tínhamos só um projeto: o roadshow pelas escolas secundárias. Mas como Associação, já aumentámos a nossa atuação com outros projetos na área da educação como o Inspiring Career Camp, a formação para universitários e a entrada na divulgação do ensino pós-graduado. O nosso objetivo é chegar ao máximo número de jovens em todo o país, ajudá-los a desenvolver as suas capacidades pessoais e sociais e a serem os melhores profissionais de sempre no futuro.

Sobre o programa Inspiring Career Camp, dizem que de forma criativa apostam no desenvolvimento das competências do mercado e vão "levar ao limite das capacidades". Em que consiste este programa e porque levam ao limite? 

O Inspiring Career Camp teve a sua primeira edição no final do ano letivo passado. O feedback que tivemos dos participantes foi muito bom, o que nos deu força repetirmos a iniciativa e expandir o público-alvo. Por isso, vamos repetir o programa este ano letivo e vamos criar um Inspiring Career Camp para universitários.

Este camp é muito focado no mercado de trabalho e divide-se em duas semanas de atividades: Numa primeira fase, os participantes definem a sua marca enquanto profissionais. Desenvolvem as suas capacidades com formação focada nas soft skills como a comunicação assertiva e feedback, trabalho em equipa, gestão de expectativas, gestão de prioridades e outras ferramentas que podem ser a chave para se diferenciarem no mercado de trabalho; Na segunda fase, os Campers vão pôr a mão na massa dentro das empresas. Temos um conjunto de parceiros divididos por áreas de interesse profissional e cada um dos nossos jovens tem a oportunidade de estagiar em 4 empresas, com job shadowing inicial para as conhecer melhor e com um desafio interno para pôr em prática aquilo que aprendeu na fase de formação.

É um programa que leva os participantes ao limite porque procuramos criar-lhes desafios nas atividades para que eles possam descobrir em si capacidades que desconheciam. Além disso, o ritmo é bastante intenso, a carga horária é fisicamente e mentalmente exigente. Mas achamos que é um ponto fundamental a explorar, se queremos ajudar a formar os melhores profissionais de sempre.

Como funciona o sistema de voluntariado?

Tentamos sempre ter uma equipa rotativa e procuramos voluntários para os nossos projetos. Já passaram pelas nossas equipas alguns estagiários que adorámos receber e que se revelaram ferramentas brilhantes na resolução dos desafios do dia-a-dia. Os interessados em "inspirar" podem ficar atentos ao nosso site, é aí que divulgamos as nossas atividades e que fazemos o recrutamento. Porque é igualmente importante ter equipas motivadas quando tentamos motivar os jovens finalistas do secundário, nós próprios procuramos também trocar experiência internamente e desenvolver-nos enquanto profissionais. A rotatividade de voluntários permite que mais pessoas tenham a oportunidade de se envolverem nas nossas atividades.

Já sentiram que fizeram a diferença no futuro de alguém?

Todos os dias recebemos pequenos sinais que nos mostram que estamos a fazer a diferença na vida dos jovens. O sinal mais comum é quando os alunos das escolas se aproximam de nós no final de um dia de atividades e nos explicam o quão desorientados estavam em relação ao seu futuro. Alguns dizem-nos que se não fosse o Popular Inspiring Future nunca conseguiriam encontrar respostas com tanta certeza sobre o que querem fazer com o seu futuro.

Mas o melhor reforço que podemos ter é nas mensagens que recebemos quando os alunos ficam colocados no curso que queriam ou quando alcançam alguma meta profissional. É aí que percebemos que todo o nosso esforço compensou!

A nível pessoal: Porque decidiste entrar neste projeto?

No início, fui desafiado a entrar neste projeto porque os meus colegas pensavam que tinha o perfil ideal. Aceitei o desafio porque achei que seria interessante estar todos os dias numa escola diferente, mas pouco depois tornou-se muito mais do que um trabalho. Tenho aprendido tanto ou mais do que os alunos a quem tento ensinar alguma coisa, pois as experiências e cenários de vida das pessoas à nossa volta vão inevitavelmente moldar-nos.

A nível pessoal, percebi que tinha aptidão para muitas outras coisas que nunca tinha experimentado e tento sempre desafiar-me a desenvolver competências que ainda não domino. É também isso que tento transmitir nos meus workshops.

Sentes-te um jovem empreendedor?

O empreendedorismo é um estado de espírito. Encaro esse estado de espírito no dia-a-dia e sinto que tenho comigo uma equipa de empreendedores: tentamos sempre inovar, criar valor à nossa maneira. É mais difícil do que seguir os padrões estabelecidos, mas dá uma satisfação muito maior quando alcançamos os objetivos.

Sentes que Portugal devia investir mais no empreendedorismo jovem?

Sem dúvida! Na nossa perspetiva do que é o empreendedorismo, estimular os jovens a inovar é espetar a agulha no bicho do comodismo que é uma ameaça às novas gerações. O Popular Inspiring Future ganhou este ano a categoria de empreendedorismo social no concurso de empreendedorismo da Acredita Portugal. Por esta associação já passaram centenas de projetos de empreendedorismo. Mas com isto observamos que este tipo de iniciativa fica centrado nas grandes cidades e que os jovens do interior acabam por não ter este tipo de estímulos. Também incentivados por esta ideia é que o nosso roadshow passou ainda este mês por escolas longe das grandes cidades, como é o caso do Alentejo e da Beira Interior. #Carreiras