Estão abertas 23 vagas de emprego na Assembleia da República e até 5 de junho é possível candidatar-se a trabalhar neste órgão político português. Mas apenas se tiver uma licenciatura de mais de três anos ou se estudou após a aprovação do Processo de Bolonha, tendo uma licenciatura e um mestrado (a pós-graduação também não é aceite). À notícia do Jornal de Negócios, publicada esta sexta-feira, seguiram-se outras publicações nos jornais nacionais. Em causa está o facto de ter sido o próprio Parlamento a aprovar Bolonha, em 2005, para agora não aceitar candidatos que tenham unicamente uma licenciatura concluída ao abrigo deste processo.

As vagas são nas áreas de direito, assessoria, economia, informática, engenharia civil, entre outras, e estão neste momento abertos 10 concursos públicos para a admissão de candidatos nestas áreas. Se dúvidas houvesse sobre os critérios de admissão, o Estatuto dos Funcionários Parlamentares, disponível no site da Assembleia da República, deixa explícito: "Para a integração na carreira de grau de complexidade 3 é exigida a titularidade da licenciatura anterior ao Processo de Bolonha ou o 2.º ciclo de Bolonha". O 2.º ciclo é uma referência à necessidade de um mestrado sob pena de exclusão dos candidatos. 

Recorde-se que foi criada em finais de 2012 a Comissão de #Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap), que é hoje a entidade responsável pelos concursos públicos, visando promover a meritocracia e não os chamados "jobs for the boys". Desde a sua criação, a comissão já chumbou a entrada de mais de 25 gestores públicos, por exemplo. Ainda assim, não deixaram de existir controvérsias sobre a transparência na admissão de determinados cargos, como foi o caso, este ano, da escolha de Ana Pinho para vogal do Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego, que foi contratada apesar de ter sido chumbada pela Cresap em sete dos 12 critérios de seleção, ou do alerta da Federação Nacional dos Médicos para o facto de o processo de seleção dos dirigentes de saúde ser pouco transparente e ignorar determinados requisitos legais dos candidatos para estes cargos.  

Número de funcionários públicos aumentou

Recorde-se ainda que em seis meses este ano, mais de 9 mil e 600 pessoas foram contratadas pelo Estado nos sectores da saúde e da educação, de acordo com a Direcção-Geral da Administração e Emprego Público. Com um salário médio de 1600 euros (mais do dobro do salário mínimo nacional), número que já inclui os cortes vários que se têm verificado em época de recessão, é natural que os cargos na função pública continuem a atrair candidatos e que num universo de 9644 pessoas com mestrado inscritas nos centros de emprego (dados de Junho de 2014) o Estado encontre os 23 candidatos ideiais de que agora precisa.

As candidaturas podem ser efetuadas em: http://app.parlamento.pt/assessores/ #Governo