O relatório da Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) revela que em 2014 os falsos recibos verdes aumentaram 200%. Foram inspeccionadas 16603 empresas e o trabalho não declarado também aumentou. Os sectores mais fiscalizados foram 6, sendo o da construção o que mais notificações recebeu (cerca de 41%) para que tome medidas. As coimas aplicadas em 2014 rondam os 6,6 milhões de euros.

Segundo o relatório, 5300 empresas foram detectadas com trabalho não declarado pela ACT, representando um aumento relativamente ao ano anterior (2013) de 34%. Os falsos recibos verdes (mais 200% do que em 2013) são 1510 e 34% destes trabalhadores viram a sua situação regularizada. As inspecções por parte da ACT visaram na sua maioria sobre o conjunto relações laborais, segurança e saúde no trabalho, sendo que também foram efectuadas inspecções para verificar apenas as relações laborais, tal como apenas incidindo sobre a segurança e saúde no trabalho.

Os sectores em que incidiram a maioria das fiscalizações foram o da construção, comércio, indústria transformadora, oficinas, alojamento e restauração. As notificações devido a situação de perigo iminente ou grave foram 341, com suspensão imediata do trabalho.

Falsos recibos verdes, falsa prestação de serviços, falsos estágios remunerados e falso voluntariado. É um universo de irregularidades que prejudica as empresas que cumprem todas as suas obrigações, um caso de concorrência desleal. "As coimas para as empresas que sejam detectadas com trabalhadores não declarados são anedóticas", afirmou Pedro Pimenta Braz, Inspector-geral do Trabalho, ao “Jornal de Negócios”. Após ser detectada a infracção por uma empresa, esta tem 24 horas para regularizar a situação junto da Segurança Social; após a inscrição do trabalhador a coima passa a ser leve.

De acordo com o JN, a CGTP tem vindo a pedir uma alteração à lei do trabalho, uma #Legislação que regule o trabalho não declarado, bem como os falsos recibos verdes que não representam trabalho independente, mas sim cargos permanentes em empresas que devem vincular o trabalhador, e não manter uma situação de precariedade.