A Internet revolucionou não só a comunicação e o consumo de informação, mas também o mercado de trabalho. O seu desenvolvimento constante possibilitou o aparecimento de novas profissões e áreas profissionais e transformou outras tantas, fazendo com que muitas profissões precisem hoje apenas de um computador conectado à Internet para poderem ser realizadas.

Foi perante esta evidência que apareceu o Nomadismo Digital. Se no seu início apareceu como um mero movimento que evocava, à primeira vista, valores próximos ao movimento hippie dos anos 60, a verdade é que, à medida que foi crescendo, provou que não é um mero movimento: é um estilo de vida e de trabalho.

Trabalhar remotamente é mesmo possível?

Em 2015, a CNN anunciou que 4,5% dos trabalhadores americanos, em regime full-time, trabalhavam já remotamente. Já na Europa, o panorama não é, em alguns países, muito diferente, como mostra um estudo da Global Leadership Summit indicado pela Fast Company realizado no Reino Unido: 34% das empresas britânicas terá, até 2020, mais de metade dos trabalhadores a trabalhar em regime remoto.

Em Portugal ainda não existem dados concretos sobre a passagem ao trabalho remoto, mas assistimos a um crescente número de pequenas empresas que preferem ter como sede um espaço de cowork do que alugar um escritório. As poupanças em apostar numa equipa remota não passam só pelo espaço físico e todas as despesas inerentes como água, luz, telecomunicações, entre outras. Ao investir numa equipa remota, a empresa alarga o espetro de candidaturas e postos de trabalho: o talento e empregado perfeito já não precisam de ser encontrados numa cidade específica – pode procurar no mundo inteiro pelo colaborador perfeito.

Falta de controlo e de comunicação

A falta de controlo é um dos principais obstáculos à contratação de empregados remotos, esquecendo-se as empresas de que, tal como um empregado presencial, o empregado remoto tem responsabilidades, prazos e metas que têm que ser cumpridos. O empregado remoto preza tanto o estilo de vida e de trabalho que adotou que fará de tudo para entregar o melhor trabalho dentro dos prazos acordados. Trabalhar dentro dos horários que ele próprio fixa faz com que o trabalhador remoto trabalhe quando se sente mais inspirado e produtivo, resultando automaticamente num trabalho de maior qualidade.

A falta de comunicação com colegas de trabalho ou o resto da equipa é hoje uma não-barreira: graças a espaços de cowork, nos quais é possível trabalhar em equipa e que estão, muitos deles, abertos 24h/24h, e a ferramentas de comunicação como o Skype ou o Slack, o trabalho em equipa continua fluído como sempre.

Nómadas digitais em Portugal

O mercado de trabalho português ainda está bastante atrasado relativamente à adaptação do trabalho remoto. Mas, mesmo perante este aparente atraso, Portugal é um dos países mais procurados por nómadas digitais de todo o mundo. Lisboa e Porto são duas das cidades mais presentes em programas de viagens organizadas à volta do trabalho remoto e esta fama e divulgação fez com que se tenham desenvolvido comunidades de nómadas digitais portugueses, como o Nomadismo Digital Portugal ou ainda o Digital Nomads Portugal, que procuram divulgar as oportunidades inerentes a este estilo de vida e de trabalho. 

Eventos como o WebSummit ou o Nomad Cruise (que teve como última paragem a cidade de Lisboa) provam que Portugal está integrado numa onda tecnológica e empreendedora que só tem a ganhar com a expansão do trabalho remoto. #Carreiras #NomadismoDigital #WebSummit