Os direitos dos animais são uma tendência, não uma moda, e vieram para ficar. Como poderão evoluir? Como pode a forma como vivemos, ou os filmes que as nossas crianças vêem, influenciar essa questão? Vamos projectar a protecção dos animais em 2050.

Os motivos para que a ideologia de protecção aos direitos dos animais ganhe terreno são vários. A ideologia da protecção do ambiente, onde o respeito pela vida animal é uma componente importante. Nada de novo: a tradição budista, ou a tradição católica de S. Francisco de Assis, já o preconizavam. Com o ambientalismo, ganha nova força. Além disso, a desruralização afasta as pessoas do contacto directo com a #Natureza, que passa assim a ser idealizada, uma ideia abstracta.

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No dia-a-dia, as sociedades modernas não lidam com os animais que vão comer - alguém faz esse trabalho sujo - nem têm de se defender de animais que atacam as colheitas ou as suas vidas. A excepção são os insectos, voadores ou rastejantes - e só mesmo os veganos radicais se batem pela protecção das baratas. A luta anti-touradas, que começa a assumir contornos de violência entre grupos sociais totalmente estranhos um ao outro, é uma das faces mais visíveis ou mediáticas desde fenómeno. E como será em 2050? A tendência será para aumentar, ou haverá motivos para diminuir?

Os filmes da Pixar são um poderoso elemento a favor. De forma sistemática, personagens com base em animais são os heróis destes filmes, e muitas vezes os vilões são seres humanos carregados de defeitos, como sucede em À Procura de Nemo.

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Os comentadores de direita dirão os argumentistas projectam nos seus filmes a sua própria ideologia, e que há uma desumanização implícita do ser humano, ou mesmo um ódio à espécie humana que partilham com os ambientalistas radicais. Concorde-se ou discorde-se, o facto permanece, pois os filmes têm imenso sucesso. As crianças nascidas nos últimos 20 anos são mais propensas a considerar o cão e o gato como membros da família, a desprezar a caça e a pesca como desportos, e mais ainda a maltratar os animais por diversão. Crescerá o número de adultos, lá por 2030, que vão achar a prática do foie-gras uma crueldade injustificada. E os outros factores citados tenderão a manter-se. Não só as crianças continuam a ver a carne já desmanchada no talho, como os problemas de saúde derivados do excesso de consumo de carne vão estimular, quer o vegetarianismo, quer uma simples diminuição no consumo de carne. Nos anos 90, nas zonas rurais de Portugal, a reunião de família e amigos para matar um porco, desmanchando e dividindo a respectiva carne (um meio económico de obter carne congelada para meses) era comum.

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Hoje, há muita resistência, de crianças e de encarregados de #Educação, ao espectáculo gráfico de ver um animal estrebuchar, passe o termo, até morrer. E isto apesar das doses de violência veiculadas pelos média.

Só há um factor contra: um eventual regresso à produção para consumo local. Há ainda poucos sinais desta tendência, mas num tempo em que não há perspectivas de emprego nos sectores secundário e terciário, um regresso à pequena produção pecuária não deve ser posto de parte (enquanto movimento espontâneo, não enquanto política pública.) E se a fome apertar, o porco e a galinha não vão ter muito mais direitos que as baratas, Mas a tendência dominante parece caminho no sentido oposto. O que vos parece? A caixa de comentários está aberta!