Na próxima madrugada, Portugal regressa à Hora de Inverno; não se esqueça de atrasar os seus relógios 60 minutos quando forem 2h da madrugada, voltando à 1h - ou então de configurar os relógios do seu computador ou equipamentos eletrónicos para fazerem a mudança de forma automática. Significa uma hora extra para dormir este fim de semana, um amanhecer mais cedo mas também um anoitecer mais cedo.

A mudança da hora foi implementada no início do século XX e ganhou força nos Estados Unidos e na Europa durante e após a Primeira Guerra Mundial, como medida de poupança de energia (daí o seu nome em inglês, "daylight saving time", horário de poupança de luz do dia).

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Calculou-se que, com uma hora extra ao final do dia, haveria menos consumo nocturno de energia. A hora de verão voltou a ser implementada de novo após a crise do petróleo de 1973, quando os países árabes reduziram a produção e poupar voltou a ser palavra de ordem. Actualmente, com a adopção de novas tecnologias de poupança e hábitos de consumo menos standardizados que há um século, muitos alegam que os ganhos energéticos não são significativos, e que até se perdem dada a perda de produtividade, em especial em Março, quando existe uma hora de sono a menos para o regresso ao horário de Verão. O tema não é pacífico nos Estados Unidos, onde estudos apontam até um aumento de ataques cardíacos na semana seguinte ao regresso à hora de Verão. Nem todos os estados adoptaram o horário de Verão e muitos reclamaram do facto de as crianças acordarem de manhã ainda de noite, e também o facto de irem para a cama ainda sem ser noite fechada.

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Na Europa, o assunto parece ser mais pacífico. Um estudo conduzido a nível europeu revelou que os sectores económicos, de uma forma geral, aprovam a mudança semestral de horário. Mesmo que hoje em dia a questão de poupança de energia seja muito incerta, o acerto tornou-se um hábito aceite pacificamente.

Em Portugal, o governo Cavaco implementou a adopção da hora da União Europeia, de forma a que o Continente e a Madeira tivessem de forma permanente o mesmo fuso horário da maior parte dos países da União, com excepção do Reino Unido, Irlanda e (na zona oriental) Finlândia, estados bálticos, Roménia, Bulgária e Grécia. A experiência foi mal sucedida: de manhã o sol nascia muito tarde e à noite, em especial no verão, era noite fechada muito tarde também. A experiência foi mais tarde abandonada e o resultado foi até utilizado pelo Reino Unido para avaliar e recusar uma adopção do horário europeu. E apesar de nenhum estado-membro questionar a prática, alguns territórios estão desfasados: basta pensar que a Galiza, em Espanha, tem exactamente a mesma luminosidade de Portugal Continental, mas sempre com uma hora a mais.

E o que pensa o leitor? Deveria Portugal abandonar o regime actual e estar sempre na hora de Inverno, arriscando um nascer de sol tardio em Dezembro? Ou estar sempre na hora de Verão e ter, também em Dezembro, finais de tarde mais longos?