Martinho era um soldado romano que após o final de mais uma batalha regressou montado no seu cavalo à sua terra natal em França. Ao atravessar o imenso frio dos Alpes franceses e uma grande tempestade, encontrou um pobre que, cheio de frio devido às suas roupas velhas e rotas, lhe pediu esmola para poder comer algo. Como Martinho não tinha dinheiro para lhe dar, pegou na sua espada que trazia à cintura e rasgou a sua capa ao meio. Pegou numa metade e deu-a ao pobre que se agasalhou com ela. Reza a lenda que nesse momento a chuva e o mau tempo pararam e que um sol vigoroso e brilhante apareceu. O chamado verão de São Martinho!

Todos nós conhecemos a lenda deste dia, ou porque a aprendemos na escola ou porque os mais velhos nos ensinaram e usaram como exemplo de como ser bondoso com o próximo.

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Todavia, hoje em dia parece que estes actos se perderam e que não passam de uma simples lenda.

Nunca se viu tanta gente a pedir ajuda como ultimamente e no entanto a nossa sociedade olha para essas pessoas como apenas uns "coitados" que não têm onde viver nem o que comer. A nossa sociedade deixa à responsabilidade do governo e das instituições dar ajuda ao mais carenciados, aos mais necessitados. Esquece-se é que um dia as coisas podem mudar e que aquele que hoje olha de lado para um mendigo e o despreza pode um dia fazer-lhe companhia em qualquer rua do nosso país.

É verdade que as instituições de ajuda servem e são criadas para dar apoio aos mais carenciados e aqueles que mais precisam de ajuda, mas numa altura em que são tantas as pessoas pobres que não têm o que comer e que precisam de apoio rapidamente, estes meios de auxílio não conseguem chegar a todo o lado.

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Fica à responsabilidade (e consciência) de cada um pensar onde e como pode ajudar aquelas pessoas com quem se cruza na rua e que lhe pede uma simples esmola.

Não se trata de ser uma sociedade recheada de São Martinhos que rasgam a sua roupa ao meio e a dão aos pobres com quem se cruzam. Trata-se de ser uma sociedade recheada de São Martinhos que vendo o próximo com necessidades não pensam duas vezes em ajudar e fazem-no como conseguem. Um simples gesto pode, de facto, fazer a diferença.