A escola é o conjunto dos que ensinam, dos que aprendem e do ambiente que os rodeia. O ensino será o conhecimento a transmitir e a vontade de o assimilar. A #Educação será tudo isto, sendo especialmente a "moldura" que envolve a formação do ser humano, desde a nascença, com os seus usos e costumes e regras estabelecidas. O Ranking das melhores escolas mais parece uma competição entre elas.

Intrinsecamente haverá uma correlação dos melhores alunos com as escolas melhor classificadas. Dificilmente das piores escolas nunca sairão alunos brilhantes, futuros professores, investigadores ou gestores e até políticos. Os alunos oriundos das piores escolas ficarão "rotulados" e conduzidos somente para funções subalternas ou até destinados a "bestas de carga" onde somente o uso dos músculos interessa.

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Parece que o poder político não vê estes rankings, caso contrário não estaríamos a assistir ao desmantelamento da escola pública. Os pais reclamam por melhores edifícios e melhores condições para os filhos. Os professores reclamam por melhores condições de trabalho. Os portugueses reclamam por um futuro melhor, porque um bom futuro somente é possível com pessoas bem formadas.

Como pode uma escola estar bem classificada se os seus alunos são oriundos de famílias desestruturadas, de famílias marginalizadas e, como acontece actualmente, de famílias em situação económica muito difícil? Como pode um aluno com fome obter boas notas? Como pode uma escola estar bem posicionada no ranking se os seus professores são precários, vindos de longas distâncias, a passar situações de sacrifício, somente possível porque gostam da profissão e têm de sobreviver? Um professor deslocado da #Família, precário, não vive, sobrevive.

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As escolas bem posicionadas, na sua grande maioria, são privadas e bem situadas. Os seus professores não são precários, estão naquele lugar há vários anos, não são melhores que os do ensino privado, mas estão mais confortáveis e vivem a profissão com alegria. Os alunos das escolas privadas não vêm para a escola com fome, a pensar na tristeza dos pais e sabem que à mínima dificuldade não faltarão explicações. Normalmente os pais destes alunos já são possuidores de formação que vão transmitindo aos filhos desde muito cedo.

Nos tempos livres os alunos das escolas mal posicionadas jogam futebol, fazem jogos de computador e, infelizmente, em muitas situações aprendem com amigos a partilhar a marginalidade. Por sua vez os alunos das escolas bem posicionadas têm programação de ocupação de tempos livres feita pelos pais ou directores dos colégios, que não lhes permite "esbarrar" na desgraça, no vazio de formação.

Paralelamente a estes rankings deveria haver estudos sociológicos, para provar ou não o que acabo de afirmar e dar "pistas" para contornar/alterar estas situações.

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Por falta de estudos ou análise crítica, nunca saberemos nada de nada e nunca será dito, que a grande maioria, mesmo a grande maioria dos alunos portugueses, estão nessas escolas mal classificadas. No futuro o que teremos: uma elite, sem saber nada da vida porque nunca passaram privações. Como poderão entender a dificuldade dos outros?

Houve num passado próximo algumas iniciativas para alterar tudo isto, infelizmente a luta partidária, ou luta de interesse, acabou com tudo. O nosso futuro depende das crianças de hoje e não depende somente das crianças formadas em escolas bem posicionadas nos rankings.