Será que a morte é o fim, uma meta a atingir ou simplesmente a interrupção de determinada forma de viver? Há pessoas sofrendo quando lhes vem ao pensamento a morte, a expectativa do seu último dia. São momentos de ansiedade e de pânico. Para algumas culturas a morte não é o fim, mas o princípio de um novo mundo, de uma nova forma de viver. Não enveredando contudo pelo fanatismo, com cérebros moldados onde a morte é a passagem para o paraíso, a obtenção de um prémio. Por isso morrem e obrigam a morrer.

Para a religião católica romana e também para a protestante, a morte é a partida do homem para a companhia de Deus, para um paraíso, bom ou mau, dependendo da conduta de cada um.

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Visto por este prisma, a morte é efectivamente o fim do nosso reinado na terra. Com intervalo entre o nascer e o morrer de escassas dezenas de anos, parece pouco. Por isso o paraíso deverá ser o muito, a eternidade. Há muitas formas de tentar conquistar o perdão dos nossos pecados: através de promessas, de dádivas e de arrependimento.

Sabemos também que muitos seres humanos passam uma vida em transgressão constante, quando "apertados" por uma dor ou aflição, arrependem-se, e de ateus ou até odiando as religiões, passam a "beatos", a crentes de oportunidade. Não vá o diabo tecê-las e programar a sua viagem antes da limpeza e expurgação de todo o mal, de todos os pecados. Sendo assim, todos os ricos seriam limpos, desde que não morressem de doença fulminante, porque sempre que atingissem algumas dezenas de anos, começariam a programar/corrigir um passado de "desgraça".

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Refiro por exemplo algumas fundações destinadas a obras de solidariedade e de investigação que tiveram por origem a vontade dos seus testamentários ou fundadores, acto louvável, preferível à luta entre herdeiros, mas não servindo de "limpeza" a uma vida de pecados, de transgressões.

Temos ainda os espíritas que também se consideram cristãos apesar de confundidos com seitas ocultas possuidores de poderes anormais. Os espíritas tiveram como origem Alan Kardec, professor francês do século XIX, de nome Rivail Denizard, tendo muitos seguidores pelo mundo, sendo de realçar Francisco Xavier no Brasil. Os seus seguidores acreditam na reencarnação. Acreditam que este percurso de vida serve para aperfeiçoar o espírito e, após a morte, um dia regressar com outro corpo, para continuar a sua tarefa ou corrigir os erros cometidos. Se rebuscarmos na Bíblia, encontramos algum fundamento para esta teoria, por exemplo João Batista seria a reencarnação de Elias.

Para os ateus a vida é nascer e morrer.

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Por estranho que pareça, encontramos nos ateus muitas formas de perfeccionismo, de fazer o bem, de cumprir com as boas regras de viver, de amor ao próximo. Não havendo nada para além da morte, a vida para eles deveria ser pensar somente no próprio e nunca no próximo. Também é verdade que muitos ditos ateus, quando lhes dá a primeira dor, correm logo para a Igreja e tornam-se nos tais "beatos".

Em que ficamos? O que será verdade?

Há culturas em que o viver é a consequência do sofrimento do nascimento, por isso os primeiros dias são momentos de tristeza. A morte são momentos de alegria, de festa, são a libertação desta vida amarga. Assistimos agora aos novos seguros para o dia da morte, por forma a tornar aquele momento digno de registo, sem mácula nem mazela. Por outro lado assistimos a diversas formas de "arrumação" do corpo. Regresso à terra, armazenamento em mausoléu ou pela cremação e libertação de cinzas. Qual será o mais perfeito?

Na terra o corpo será consumido pela #Natureza; as cinzas a forma de não ocupar espaço; o mausoléu a forma de perpetuar a memória através da presença do corpo. Não seria preferível perpetuar a memória através da imagem e da presença do espírito? A vida é linda, o seu fim o epílogo de um filme, tendo com encenador/realizador Deus, como actor nós e espectadores vós. Não faz parte do filme a sua interrupção sem ordem, mesmo que muitas vezes, o filme não passe de uma tragédia.