É como se nunca tivesse existido. Ninguém fala, ninguém comenta. O Governo de Passos Coelho eliminou do calendário o dia da Restauração da Independência e conseguiu mais do que poupar uns milhares de euros aos cofres do Estado. Fez com que este importante dia da História de Portugal ficasse esquecido no passado.

Foram seis décadas encurraladas por uma Dinastia Filipina, até que um dia, 1 de Dezembro de 1640, um grupo restrito de nobres toma a decisão de se revoltar e proclamar o Duque de Bragança como Rei de Portugal (D. João IV). Provavelmente, se não fosse a bravura destes nossos antepassados, hoje Portugal e Espanha não passariam de uma União Ibérica.

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Teria sido mais fácil os portugueses aceitarem a coroa espanhola pois Portugal era um país pobre. Nos campos mais produtivos cresciam ervas daninhas e urzes. Os sectores mais importantes da economia estavam arrasados. As colónias eram frequentemente alvo de ataques, como era o caso dos holandeses no Brasil. Contra todas as expectativas, Portugal reergueu-se das cinzas.

É uma história de coragem. É a nossa história e está no nosso ADN. Nos dias que correm, face à débil situação económico-financeira que se vive no país, deveria ser mais vezes contada e relembrada. Nem que fosse, simplesmente, para nos dar mais alento. Somos o país do fado, mas também somos um país de gente valente. De pessoas que fazem das tripas coração, que não se deixam vencer pelas dificuldades. Não é por acaso que partimos à descoberta do mundo, não é por acaso que somos um país de emigrantes.

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Nem sempre os valores económicos deveriam estar à frente dos valores nacionais. Fazem-se leis para tantas coisas e nunca se estipulou uma que proibísse o esquecimento de determinadas datas históricas, como é o caso do dia da Restauração da Independência. Não creio que a solução dos problemas de hoje passe por fazer cruzes sobre os acontecimentos heróicos de ontem. Há muita gente perdida, sem rumo, que precisa de quem as inspire e não de quem as deite constantemente abaixo, com discursos dizendo que os impostos vão subir mais uma vez.

No futuro, que já é hoje, o dia 1 de Dezembro não será relembrado pela bravura de quem arriscou a vida pela Independência de Portugal. Será antes visto como mais um dia, igual a tantos outros. Onde as manchetes dos jornais serão preenchidas pelas vitórias e derrotas do Porto e do Benfica, pela compra e venda de grandes empresas ou pelos discursos dos políticos. Portugal será um país mais pobre. Os adultos deixarão de contar esta história. As crianças não a irão conhecer. Seremos um povo desconhecedor das suas raízes. A esperança? Que haja pelo menos uma pessoa, entre dez milhões, que não se esqueça.