A Europa deve ser feita de prioridades e objectivos. Nos próximos 5 anos, ou seja, no curto prazo, devemos fazer um esforço de compreensão e de união no sentido de resolvermos de uma vez por todas os problemas da dívida. É um problema grave, que afecta negativamente a vida de milhões de europeus todos os dias, sendo na minha opinião incompreensível que a Europa adopte uma estratégia de austeridade cega para resolver este paradigma! Como chegamos ao ponto de fazer com que o PIB da Grécia caísse mais de 25%? Não compreendo muito sinceramente, nem sei que culpa o comum cidadão grego tem nesta crise e o argumento xenófobo de que os habitantes dos países do sul não trabalham e só gostam de festas e praia é parvo! Esta tentativa de culpabilizar cada cidadão por políticas erradas de governos apoiados pela União Europeia é horrorosa! Tentar empobrecer forçadamente estes países vai destruir a Europa, o sonho europeu e algumas democracias.

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Tem que haver inevitavelmente austeridade e um ajustamento, isso é claro, mas o que se está a passar é quase uma purga! Tornar os cidadãos portugueses, gregos, espanhóis e irlandeses, como exemplos de castigo, tornando-os miseráveis e pobres, vai contra as ideias da formação da União Europeia, vai também contra os cidadãos europeus e dá alento às forças extremistas que se têm alastrado pela Europa.

Daí que na minha opinião a prioridade no curto prazo é resolver estes problemas, resolver o problema da dívida de forma credível, tentar tornar as economias mais produtivas, incentivar a industrialização, promover o emprego de forma concertada e eficiente!

Apostar em um crescimento sustentável e reduzir a dívida é importante, mas praticar austeridade cega não resolve nada aliás só agrava os problemas! Aumenta o eurocepticismo, aumentam as desigualdades sociais, destrói-se o tecido económico em vez de o reconstruir.

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Acho esta linha extremista de seguir o FMI não tem sentido, aliás nunca vi nenhuma economia prosperar graças ao FMI! Nunca existiu, o FMI trás desgraça, desregulação, "capitalismo selvagem", precariedade, e as suas políticas apenas beneficiam a banca, os mercados e a especulação!

Há que mudar de vez este paradigma, reconstruir a credibilidade europeia, proporcionar melhores condições aos europeus e aprofundar as relações entre países.