Todos sabemos que não há nada perfeito. A U.E claramente não é perfeita e cometeu vários erros nas orientações económicas dadas ao meu país.

Portugal antes de entrar para a U.E, tinha agricultura, tinha pescas e todos os recursos económicos estavam a ser aproveitados. Depois veio o Plano Agrícola Comum em que os nossos agricultores foram incentivados a deixar a agricultura e foram pagos para não produzirem nada! Isto é impensável, visto que o nosso solo é fértil, temos condições para produzir produtos naturais de grande qualidade e desbaratamos esse recurso. E esta crise fez-me ver isso, temos solos férteis e abandonados e com a quantidade de desempregados que há é natural que esta solução fosse viável para reduzir o desemprego, mas não, porque toda a estrutura foi desastrosamente destruída!

Com as pescas passou-se a mesma coisa, temos a maior ZEE da União europeia e não aproveitamos, porque há uns anos os pescadores foram pagos para destruir as suas frotas pesqueiras! E isto revolta! Como é possível que com tantos recursos "á mão", e com uma taxa de desemprego tão alarmante, nada possamos fazer para reabilitar estas actividades.

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A Europa prejudicou-nos ainda ao nível da indústria, porque orientou os países a seguirem o sector dos serviços e na minha opinião um país que não tem uma indústria forte é um país economicamente fraco! Vendemos a nossa soberania económica por fundos estruturais, com o apoio e orientação da U.E.

Reverter estas políticas é muito complicado e quero falar também no facto da integração europeia ter reduzido significativamente o nosso poder de soberania e eu acho que este é um ponto-chave nesta discussão. Mais de 70% das nossas políticas são discutidas na Europa e o "Tratado de Lisboa" só agravou esta situação. Cada vez chego mais á conclusão que as nossas eleições internas não valem nada, porque todas as medidas financeiras e económicas são controladas pela Europa.

E isto é intolerável em democracia, porque os eleitores de todos os países querem ser ouvidos e têm esse direito, sendo que este "autismo" pode levar a Europa para caminhos perigosos!