Recentemente, MEC declarou que "Nas guerras, é preciso ser-se de um lado ou de outro", num texto de apoio a Israel, relativamente ao recente conflito na faixa de Gaza. Argumenta MEC que, neste conflito, é Israel a parte mais fraca, dado estar rodeado de inúmeros países árabes hostis e dado também que o apoio dos países europeus e da América se torna hesitante.

Em primeiro lugar, não temos de escolher. Alinhar com Israel ou com o Hamas é um exercício intelectual, ou cívico, político, activista, o que quisermos. Mas não temos, necessariamente, de escolher. Desde 1815 que a Suíça não escolhe, e so se tem dado. Fossem todos como a Suíça.

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E nós, em Portugal, tivemos certamente mais benefícios em não escolher na II Guerra Mundial, do que ao escolher, na I (em circunstâncias diferentes, sim, mas o facto permanece).



Se os intervenientes nos obrigarem (ainda que em teoria) a escolher um lado, claro que teremos de o fazer (na teoria, também). Se o Hamas nos disser que o Estado de Israel não tem o direito de existir, a nossa resposta será sempre uma escolha:

- ou achamos que sim, que tem esse direito, e logo estamos contra o Hamas;

- ou também achamos que não, e então estamos a favor.



Porque esta é a mensagem do Hamas. Não me recordo de Xanana Gusmão dizer que o Estado Indonésio devia desaparecer do Sudeste Asiático. Esta mensagem é diferente. Se achamos que o estado de Israel não tem o direito de existir, a conversa fica por aqui.

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Desejemos boa sorte ao Hamas, e usemos todos os argumento possíveis, verdadeiros e falsos, contra os sionistas.



Se acharmos que o país até tem esse direito - então levantam-se muitas outras questões. Claro que Israel tem o direito de se defender. Mas temos que nos perguntar qual é a solução definitiva para um problema humanitário e também político. É difícil pedir a uma população que vive há 70 anos em situação de menoridade política, sem autonomia, sem perspectivas de desenvolvimento económico, que não veja no Hamas a solução para os seus problemas. É difícil também, sabendo o grau de segurança qe Israel alcançou para os seus cidadão relativamente ao Hamas, que não existam outras formas de atingir o movimento. Esta solução alimenta a violência, e alimenta o Hamas.



Queremos um Médio Oriente pacífico, com dois estados convivendo lado a lado? Olhando a História, e ao contrário do que diz MEC, vemos que Israel se tornou um vizinho tolerado por parte dos estados árabes, com a excepção do Irão. Temos até de perguntar: criar um estado árabe respeitável, como a Autoridade Palestiniana e Mahmoud Abbas tentaram fazer na década passadam não será uma atitude política, humanitária e até ecológica mais sustentável (uma vez que o futuro daquela região depende sempre das reservas de água?)



Como se vê, as questões só agora começam. Quem acha que Israel tem o direito de existir deve ponderar que o inimigo potencialmente mais perigoso de Israel não é o Hamas, nem talvez o Irão, mas sim o Califado. Estejam atentos…