O referendo realizado ontem, na Escócia, relativo à eventual separação do país do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, deu a vitória ao não. Cerca de 55% dos eleitores afirmaram a sua intenção de manter a ligação que dura já desde 1707. A participação dos eleitores foi de cerca de 85%, um número bastante elevado se comparado com a média de participações eleitorais na Europa nos últimos anos, e que confirma uma tendência que se tem verificado: os referendos, tratando de questões mais concretas e práticas, têm mais participação do que a transferência de poder entre partidos políticos.

Na capital, Edimburgo, cidade com cerca de 380.000 eleitores, a vitória do Não à independência foi bastante mais expressiva que em relação à média nacional, com uma diferença de 61,1% para o Não e 38,9% para o Sim.

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Da mesma forma, não se verifica qualquer ruptura geográfica no desejo da independência, uma vez que em apenas quatro distritos eleitorais se registou uma vitória do Não.

O primeiro ministro da Escócia, e também líder do Partido Nacional Escocês (Scottish National Party), Alex Salmond, reconheceu a derrota e apelou ao mesmo reconhecimento por parte dos escoceses, mas sem deixar de sublinhar que os 45% de eleitores que votaram Sim são uma expressão de vontade clara no sentido de serem cumpridas as promessas do governo de Londres relativas a uma maior transferência de poderes (nomeadamente fiscais) para o governo local de Edimburgo.

O resultado é, e apesar de os três maiores partidos britânicos terem alinhado totalmente pelo lado do Não, uma vitória para David Cameron, primeiro-ministro britânico, que assim evita o levantamento de questões sobre a sua capacidade para se manter à frente do país, e consolida a posição internacional do país.

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À data de fecho deste artigo não existiam ainda reacções oficiais das autoridades em Espanha, onde um movimento independentista na Catalunha promove uma causa semelhante. Espera-se que o governo de Madrid saúde a decisão escocesa, pois dá um sinal no sentido das soberanias dos estados tradicionais e no caminho da união preconizada pelo projecto europeu.