Realiza-se, na próxima quinta-feira, o referendo escocês sobre a independência do país em relação ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. O escrutínio promete trazer consequências importantes para o futuro do país, sendo que as suas causas são também um sintoma do ambiente de incerteza que se vive na Europa.
A Escócia foi um país com governo próprio até 1707, ano em que, por razões dinásticas, o rei de Inglaterra herdou o reino escocês - tal como, cerca de 130 anos antes, Filipe II de Espanha herdou Portugal. Apesar da manutenção das instituições, etc., é claro que o governo do Reino Unido (união de Inglaterra, Escócia e outros) ficou em Londres, capital inglesa, e que foi o parceiro inglês a ditar o futuro político da união. Há 19 anos, o filme "Braveheart - O Desafio do Guerreiro" retratava os tempos medievais em que a Escócia não aceitava o governo de Londres. 
Hoje, mais do que esse filme, é um conjunto de circunstâncias a despoletar a intenção do referendo. Por um lado, a ideia de suficiência económica, trazida pelo petróleo do Mar do Norte, que poderia "sustentar" o novo Estado. Por outro, o descrédito geral das instituições democráticas, no Reino Unido e por toda a Europa, que leva as pessoas a pensar em alternativas. Finalmente, o peso da História e a consciência da possibilidade real de uma Escócia com auto-governo. 
Por outro lado, existem vários "contras". Em primeiro lugar, o sentimento independentista que não parece tão forte ou espontâneo como na Catalunha, por exemplo - e poderá ter sido por isso, dizem os mais cínicos, que Londres "arriscou" respeitar a vontade do povo e marcar um referendo. Por outro, a credibilidade dos políticos escoceses: se o sentimento genuíno não é forte, mais depressa se cria a ideia que se está a trocar uns políticos por outros, por serem todos iguais. Finalmente, a própria incerteza: se o futuro dentro do UK é incerto, como é o futuro fora dele? O Royal Bank of Scotland ameaça mudar-se para sul se a independência ganhar. O novo país nasceria fora da UE e fora da NATO. E será o petróleo suficiente?
Se o Sim ganhar, vai sem dúvida criar um precedente importante para outros casos similares, como a Catalunha, e um certo embaraço para a própria União Europeia que tem um projecto de agregação, e não de separação. Se o Não ganhar, será uma grande vitória política para David Cameron - mas não é líquido que os catalães, pelo menos, desistam para já. Os escoceses vão às urnas na próxima quinta-feira, 18 de Setembro.