A NATO declarou ter detectado vários aviões militares russos em manobras incomuns e em zonas onde não seria de esperar tal nível de actividade, ainda que sempre sobre espaço aéreo internacional. O patrulhamento da Aliança Atlântica focou-se no mar Báltico, no mar do Norte e no Oceano Atlântico, já relativamente longe das bases russas e onde não é de esperar este género de exercício. Estão presentes na zona aviões F-16 da Força Aérea Portuguesa, da esquadrilha sedeada na base de Monte Real, que participam plenamente no esforço comum. Foram 4 as operações detectadas, elevando para mais de cem o número de exercícios verificados ao longo de 2014, o triplo do que se registou em 2013. Recorde-se que os russos não estão a violar o espaço aéreo de qualquer outro país, com excepção de um voo muito breve sobre o espaço aéreo da Estónia, registado na semana passada.

Ainda segundo a NATO, a maior das operações envolveu 4 aviões Tupolev, com 4 aviões-tanque para reabastecimento, que sobrevoavam o Mar da Noruega. Depois de identificados, dois deles prosseguiram sobre o Oceano Atlântico, sendo acompanhados por dois F-16 portugueses, que tentaram o contacto mas não tiveram resposta, dever que os russos não tinham por estarem em espaço aéreo internacional. Eventualmente, acabaram por regressar ao espaço aéreo russo.

O comunicado e as operações de policiamento da NATO surgem na sequência da já longa crise entre o Ocidente e a Rússia, iniciada com a deposição do presidente pró-russo da Ucrânia, ao que a Rússia respondeu com a anexação da Crimeia e posteriormente com a instigação de uma guerrilha de resistência nas regiões russófonas da Ucrânia. É neste quadro também que, segundo alguns analistas, surge a recente baixa do preço internacional do petróleo que terá como alvo principal o Orçamento de Estado de Moscovo, altamente dependente desta matéria-prima.

 Nas redes sociais, o assunto é relativamente ignorado. Um comentador mencionava que "por acaso é bom que o preço do petróleo esteja a baixar, porque quem é que anda a pagar o gasóleo dos F16 a passear pela Europa?" Um outro, num tom descontraído, referia que "desde que o Ismailov embarretou os lagartos e o Pinto da Costa que se sabe que não se pode confiar nos russos."