As detenções do director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, da Secretária Geral do Ministério da #Justiça e do presidente do Instituto dos Registos e Notariado, por suspeitas de corrupção na emissão e atribuição de vistos gold, traz mais uma vez à ribalta o nome do juíz #Carlos Alexandre, que vai ser o responsável por mais um processo envolvendo altos quadros da esfera política e da administração pública.
Mas quem é o juíz Carlos Alexandre, também conhecido por super-juíz, que tem sido o responsável pelos processos mais mediáticos do crime económico e financeiro?
Foi, até Setembro, o único juíz titular dos mega processos de criminalidade económica e financeira do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).
Natural de Mação, é oriundo de uma família humilde: o pai era carteiro e a mãe operária na indústria têxtil.
Na terra que o viu nascer e crescer e onde gosta de regressar sempre que possível, para descomprimir da vida profissional muito preenchida e também para participar nas comemorações religiosas da Páscoa e do Natal; todos lhe gabam a coragem.
Se uns vêem nele uma espécie de justiceiro, outros há que o consideram um juíz com sede de protagonismo.
Teve e tem sob a sua responsabilidade os processos mais mediáticos na área da corrupção, fuga ao fisco e tráfico de influências, envolvendo grandes figuras da elite política, empresarial e financeira, tais como os casos Portucale, BPN, Apito Dourado, Face Oculta e Monte Branco.
Carlos Alexandre considera a luta contra a corrupção como a sua missão e já colocou na prisão alguns poderosos como Duarte Lima e Isaltino Morais.
Temido por muitos, não cede a pressões, apesar das ameaças pessoais e familiares de que já foi alvo.
Recentemente, terá recebido ameaças no âmbito da investigação a Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola.
No entanto, parece não se deixar amedrontar por estas ameaças e é firme na forma como actua, não se coibindo de afrontar os poderosos e levá-los a julgamento, mesmo quando a investigação mostra apenas "dúvida razoável".
É um juíz extremamente rigoroso e com ele não existem pontas soltas nos despachos ou erros processuais. Nada escapa à sua memória e não deixa que outros juízes peguem nos seus processos.
Para além de conduzir os processos de instrução no Tribunal Central, autoriza e ouve todas as escutas, conduz as buscas, muitas vezes sem hora marcada e conduz ainda julgamentos nas varas criminais.
Depois de terminar o curso de Direito em Lisboa, trabalhou numa repartição de finanças.
Iniciou a carreira como juíz em Felgueiras, depois exerceu em Oeiras, Sintra e Vila Franca, até chegar a juíz de instrução na Polícia Judiciária Militar.
Em 2006 tornou-se juíz titular do TCIC e desde então, o seu protagonismo público tem-se ficado a dever aos processos mais mediáticos do crime económico e financeiro.