O referendo sem efeitos legais, que foi chamado de "consulta popular" pelo governo regional da Catalunha e pelo seu presidente, Artur Mas, decorreu por toda a região no passado domingo. Cerca de 80% dos votos recolhidos disseram sim às duas perguntas colocadas: "Quer que a Catalunha seja um Estado?" e "Quer que esse Estado seja independente?" Note-se, contudo, que apenas 36% dos eleitores registados (cerca de 6 milhões, numa população de 7,5 milhões) estiveram nas urnas, o que signifca que 64%, praticamente dois terços do eleitorado, não o fizeram.

A esmagadora vitória do "Sim" subentende que se tratou de uma grande vitória simbólica para o movimento separatista.

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Artur Mas assim o interpretou e pretende voltar a negociar com Mariano Rajoy o estabelecimento de um referendo a sério.

Contudo, quer a imprensa portuguesa quer a imprensa internacional não pareceram notar a lógica dos números. O número de eleitores corresponde sensivelmente ao número de pessoas que terão participado nas manifestações a favor da independência. Contudo, depois de grandiosas demonstrações de rua - quer este ano em Barcelona, quer antes disso - parece que o movimento não conseguiu dar o passo em frente. No total, em 6 228 531 eleitores, apenas 1 861 753 votaram sim - cerca de 29,89%.

O Expresso revela que os observadores internacionais, nomeadamente Ian Duncan (Partido Conservador britânico, tendo defendido o não à independência da Escócia), afirmaram que o processo decorreu em "circunstâncias difíceis".

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O Expresso aponta também que muito eleitorado pela união e contra a separação não terá participado, pelo facto de a consulta não ter valor legal.

No entanto, a ideia que fica é que o eleitorado que já estava mobilizado para participar nas manifestações o fez novamente nas urnas; e que parece existir depois uma grande "maioria silenciosa", na expressão cunhada em Portugal por António de Spínola, para a qual esta questão da independência não é assim tão importante. #Eleições

Os partidos separatistas continuam, naturalmente, e de forma totalmente antidemocrática, a ignorar estes resultados. A Candidatura de Unidade Popular e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) continuam a exigir uma declaração unilateral de independência. Artur Mas afirma que vai voltar a "atacar" Madrid, mas começa a perder a liderança nas sondagens para a ERC.