O partido Podemos, classificado pelos analistas como partido de esquerda, surge em primeiro lugar nas intenções de voto para as eleições legislativas em Espanha, quando falta cerca de 1 ano para as mesmas. O novo partido, que conquistou 5 eurodeputados nas últimas eleições europeias, alcançou 27,7% dos votos, contra 26,2% do PSOE (centro-esquerda) e 20,7% do PP (centro-direita). Os partidos de esquerda antes existentes perdem bastante para o novo partido, com 3,8% (Izquierda Unida) e 3,4% (Unión, Progreso y Democracia). O resultado contrasta fortemente com uma sondagem de Outubro, onde o Podemos havia conseguido apenas13% das intenções de voto.

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O partido é liderado por Pablo Iglesias.

Numa entrevista ao Jornal de Notícias, o co-fundador Juan Carlos Monedero afirma que o Podemos é uma reinvenção da esquerda, e que a fronteira tradicional entre a direita e a esquerda se esbateu. Monedero afirma que os partidos e a instituições existentes deixaram de actuar sobre o real, passando a ser apenas equipas de análise de um real que é exterior a eles, do qual não fazem parte, e daí que lhes tenham vendido "produtos" políticos recorrendo a técnicas de marketing, como qualquer outro produto. Monedero afima que o Podemos é um esforço de cidadãos, recorrendo à pluralidade e a pessoas vindas da sociedade civil real, mencionando o movimento de protesto 15M como a sua origem. A diferença, segundo Monedero, é que o 15M era apenas uma "pergunta ao sistema", e que não se institucionalizou enquanto resposta, enquanto o Podemos é a maturação desse processo.

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Monedero afirma também que as propostas do partido passam por rejeitar as propostas de austeridade veiculadas pelo mundo "capitalista" - onde se integram o governo de Merkel e o BCE, as grandes empresas e o sistema financeiro internacional - e por uma maior articulação entre os países europeus mais afectados por estas políticas, nomeadamente o Sul da Europa. Contudo, Monedero reconhece que não é possível anular de uma vez só "500 anos de capitalismo" e que "a crítica liberal ao paternalismo do Estado é correcta", na medida em que "o Estado retira responsabilidades às pessoas."

O Diário Económico refere, na sua análise à sondagem espanhola, que muitos dos que escolhem o Podemos não acreditam que algumas medidas sejam viáveis, como a semana de trabalho de 35 horas. Contudo, o eleitorado estará saturado do descrédito em que caiu a política representativa actual.