Assinala-se hoje, 9 de Novembro, o 25º aniversário da queda do muro de Berlim, a barreira que separava as duas metades de Berlim, a oriental e a ocidental. Na prática, o muro era uma cerco montado em torno de Berlim Ocidental, uma ilha governada pela República Federal Alemã rodeada pela República Democrática Alemã. Além da parede de cerca de 4 metros de altura, o muro incluia checkpoints bem guardados, arame farpado, fossos e guardas armados, com ordem para disparar sobre quem quisesse fugir. O seu fim prefigurou o fim da Guerra Fria, na medida em que os acontecimentos dos dois anos seguintes vieram a destruir o pacto de Varsóvia e a própria URSS, extinguindo os regimes comunistas.

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O Muro havia sido erguido em 1961, como resposta à fuga crescente de cidadãos alemães de Leste para o Ocidente. A fronteira entre os dois países (a centenas de quilómetros de Berlim) já havia sido fechada há anos, mas dentro de Berlim continuava a ser possível "circular" com facilidade, por um simples arame farpado. Assim, a RDA tomou a decisão radical e um dia os berlinenses ocidentais acordaram "cercados".

O Muro simbolizava, na sua essência, o fracasso da ideologia socialista: o governo da República Democrática Alemã havia sido obrigado a empenhar recursos significativos num meio de impedir os seus cidadãos de abandonar o seu próprio país. E, na verdade, a tentação de fugir era significativa para muitos: estima-se que cerca de 138 pessoas tenham sido assassinadas na tentativa de sair do país atravessando o muro, ao longo dos 28 anos em que esteve erguido.

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Hoje em dia, acontece um fenómeno semelhante nas águas do Golfo do México, em que cidadãos cubanos arriscam as vidas para atravessar 150 km de oceano para chegar aos Estados Unidos.

O seu fim chegou de uma forma estranha, mas não súbita. Os sinais de crise em todo o bloco comunista acumulavam-se há anos, a Perestroika de Gorbachev era já uma forma de tentar reagir a essa crise, e poucas semanas antes muitos alemães de Leste já haviam fugido para o Ocidente através da Hungria, que havia levantado as barreiras da fronteira com a neutral Áustria. A 9 de Novembro, um famoso erro de comunicação levou um oficial da RDA a anunciar aos média que a fronteira em Berlim havia sido levantada sem restrições - uma má interpretação de uma ordem um pouco diferente. Talvez, na prática, ele tenha antecipado o que aconteceria de qualquer forma. Nesse mesmo dia, milhares de alemães cantaram vitória perante a inércia das autoridades leste-alemãs, que haviam já perdido a vontade de lutar fosse pelo que fosse - na verdade, muitos soldados estavam tão alegres como os "fugitivos" que trepavam o muro.

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A demolição completa prolongou-se pelo ano seguinte, tendo sido preservados alguns segmentos a título de memória histórica, e a Alemanha de Leste foi oficialmente extinta a 3 de Outubro de 1990.

Em Portugal, está patente no Santuário de Fátima um segmento do Muro de Berlim, a título de troféu de vitória: a Igreja Católica foi - pelo rosto do papa da Polónia, Karol Wojtyla - uma das forças determinantes da queda do bloco comunista e do fim da Guerra Fria.

Para assinalar a data, Berlim apresenta hoje um trabalho do artista Christopher Bauder, consistindo na recriação do muro com balões de hélio iluminados, ao longo da antiga fronteira entre as duas metades.