Vivemos num mundo multicultural e diversificado, dotado de slogans, lemas e directrizes como é o caso da Europa, onde se criou uma União de países cujo lema é "unidos na diversidade". Porém, estas nações de culturas, idiomas e sociedades diferentes regem-se por legislações internas e até externas mas comuns entre elas. Como é o caso da União Europeia e alguns acordos que lhe são transversais e tangentes, como o de Schengen. Segundo este, os países signatários devem ser "espaço de liberdade, segurança e justiça" comuns, em que a livre comunicação de pessoas e bens estão simplificadas e, se no caso de transacção de bens ainda há logicamente algum controlo comercial aduaneiro, no caso dos cidadãos, esta movimentação intra-acordo está completamente desprovida de qualquer tipo de controlo fronteiriço, como se as viagens entre os diferentes países participantes fossem do tipo domésticas.

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Esta é a teoria.

Porque, todavia, toda a família tem uma ovelha negra e em toda a regra há uma excepção. A excepção é a grandiosa nação que embeleza os versos de Camões, em métricas de grandes valores e valente povo de conquistas e sentido de dever: Portugal. O povo continua valente, mas, em tempo de acordos, tratados e evoluções políticas pseudo-democráticas, demonstra-se enfraquecido perante as contradições mediatizadas e dissimuladas que o seu próprio #Governo lhe apresenta. Ou seja, vivemos num espaço Schengen e numa União Europeia. Noções diferentes, constituídas de legislações diferentes e com fundamentos diferentes… mas fazemos parte de ambos; os grandes conceitos de liberalização da transacção de pessoas, bens e serviços da História Contemporânea.

E, no entanto, cobramos "portagens" à entrada de Portugal, para quem vem de Lobios (Galiza, Espanha) em direcção ao Parque do Gerês e apresentamos propostas de implementação de taxas de #Turismo muito pouco inclusivas ou sequer transparentes aquando da entrada de "não-lisboetas" no aeroporto e no porto de Lisboa.

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Quanto ao Gerês é cobrada, entre 1 de junho e 30 de setembro de cada ano, a taxa de 1.5€ a quem pretenda entrar na Mata da Albergaria com um veículo motorizado (Portaria 138-A/2010, de 4 de Março), já que o intuito é o de preservar o espaço, que está classificado como reserva biogenética. Neste objectivo, tenciona-se limitar a circulação de veículos, que é um dos elementos primordiais de destabilização do ecossistema da Mata e a portaria estabelece também que o lucro daí resultante deva ser canalizado e aplicado na gestão e conservação da biodiversidade locais. Contudo, o que se verifica na realidade é um abandono, desinvestimento e degradação na zona e a cobrança da taxa parece não afectar o fluxo motorizado, pois raras são as pessoas que, após realizar vários quilómetros e deparados com esta taxa, acabam por inverter a marcha. Acaba-se por pagar, mesmo que relutantemente, pois quem não tem conhecimento desta situação, também não a vai descobrir com antecedência, porque antes de lá chegar não há qualquer tipo de indicação de proximidade de troço de estrada pago.

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Quanto à Taxa de Turismo a aplicar nas entradas na capital portuguesa, estaremos a proteger que tipo de ecossistema? Qual a fauna e flora fragilizados? Ou, sobretudo percebendo que o objectivo não é bem a Natureza local, ir-se-á encaminhar realmente o dinheiro recolhido para o efeito publicitado e anunciado como fundamento? Pela regra matemática dos três simples, que o Estado Português tem vindo a aplicar, parece que não. Ao fim ao cabo, a prática de pagamento, exclusivamente à entrada na cidade, já é praticada há imenso tempo pelas portagens em ambas as pontes que ligam a Margem Sul a Lisboa. E…resultados?

Estamos a financiar novos Centros de Congressos em vez de financiar a abertura dos já existentes - e da sua cultura e eventos - aos habitantes? Que tipo de mentalidade está o estado Português a querer amadurecer na visão portuguesa e lisboeta? E, sobretudo, perante estas duas situações, onde estão os princípios inclusivos? Que é feito da LIVRE circulação de pessoas? Onde se integram, em tudo isto, os trabalhadores de fora de Lisboa que todos os dias lá vão trabalhar? E os emigrantes? E o que é feito de tudo o resto, que é DIVERSO, mas deveria ser UNIDO?

Portugal no seu melhor mostra-se o filho rebelde de toda uma evolução política democrática, vivendo numa ditadura financeira. Pois temos a liberdade de expressão, mas fazemos pouco uso dela, porque, ao fim ao cabo, estamos demasiado concentrados em contar os poucos tostões do bolso, para dividir por todas as taxas e impostos mais ou menos legais e mais ou menos constitucionais.