Nos últimos dias, em Portugal, foi detido um ex-primeiro-ministro por suspeitas, entre outras acusações, de corrupção. Antes, já o presidente da maior instituição bancária portuguesa tinha sido detido. Ontem, e na sequência do desfalque bancário no BPN, um ex-deputado foi condenado a 10 anos de prisão efectiva. E hoje é notícia o facto de dois altos cargos dos BES terem sido constituídos arguidos num processo que pode envolver muita gente, desde políticos a directores desportivos.

Há anos que vemos no nosso país casos e mais casos de enriquecimento duvidoso. Pelo menos legalmente duvidoso. Portugal move-se numa teia que nos captura, qual moscas, e oferece trabalho aos políticos, aos amigos destes, aos seus filhos, primos e afilhados e a alguns dos que os rodeiam.

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E esta raça de políticos não são só aqueles que exercem política efectivamente. São também os que fazem política na banca, nos clubes de futebol e em tantas outras instituições que fazem movimentar muito dinheiro e favores.

Governos após governo, somos brindados com negócios e mais negócios que nos lesam em milhões e milhões de euros. São submarinos, são Freeports, são Tecnoformas, são BCNs, são BES, são tantos e nada é feito. Nada acontecia. Nunca. Vivemos (cada vez com menos) e deixamo-los viver (cada vez com mais). Cada qual na sua vidinha, parece ser o lema. Mas agora algo parece estar a mudar. Um ex-primeiro-ministro foi detido. Se bem, se mal, é outro assunto. Se é culpado ou não, não sei. Mas foi detido. Não sabemos se roubou, ou melhor, se desviou, se foi corrupto, se branqueou.

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É verdade, não sabemos. Nem sequer sabemos se, o tendo feito, alguém vai conseguir prová-lo, ou sequer se as provas (se existirem) serão válidas. Basta vermos o caso do Apito Dourado. Não sabemos nada. Ou melhor, sabemos pouco. Sabemos que este ex-governante vivia como um rei, gastava com um sultão e que não poderia ter rendimentos para tal. Isto todo o mundo sabia. Se isso terá sido conseguido através de crimes, é o que queremos agora saber.

Mas que as autoridades não fiquem por aqui. Queiram também saber de onde veio o dinheiro dos amigos, da família, dos parceiros de negócios deste e de outros. E que não seja só ele. Que se chegue aos outros. Aos Portas, aos, Loureiros, aos Coelhos, aos Soares, aos Barrosos, aos Cavacos. Que se dê um pulinho à Madeira. Sem medo. Hoje, estando eu no estrangeiro, fui apanhado de surpresa. Vi que estamos à procura desses "outros" Que mais foram constituídos arguidos, que outro foi condenado a 10 anos de cadeia efectiva. E isto, mesmo a esta distância, enche-me de alegria e esperança de que algo vai mudar.

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Mas depois lembro-me que nós, portugueses, elegemos um Primeiro-ministro que nunca fez nada na vida a não ser ter amigos, padrinhos e parceiros de negócios, e pergunto-me se toda esta esperança não será desmedida. No Brasil, o filho do ex-presidente Lula deixou o seu cargo no zoológico e "virou" milionário. Tudo normal, tudo legal. Não nos deixemos ficar assim. #Justiça