O Parlamento da Grécia confirmou hoje aquilo que já se sabia desde há 2 dias e que se esperava desde o início do mês: a dissolução e a convocação de eleições antecipadas. O acto eleitoral foi marcado para dia 25 de Janeiro. Terminam assim, e de acordo com as regras do sistema político grego, as tentativas de Antonis Samaras, actual primeiro-ministro, de fazer eleger um Presidente da República de modo a manter o seu consulado, uma vez que a marcação desta eleição presidencial foi convocada no próprio dia em que a Grécia viu o seu resgate ser prolongado. Na Grécia, o presidente é escolhido pelos deputados à Assembleia da República, e não por sufrágio directo e universal, como sucede em Portugal e outros países.


Os mercados financeiros, sempre atentos ao desenrolar da situação num país onde o programa de resgate da Troika se prolongou para além do previsto, reagiram de forma assertiva no dia de ontem, quando o Parlamento falhou pela última vez a eleição do presidente da República. Os juros da dívida subiram e a bolsa de Atenas desceu 12%. No dia de ontem, contudo, os mercados pareciam estar a 'acalmar', uma vez que a queda dos valores da bolsa estava a ser menor que o previsto. 


Ontem mesmo, surgiu de imediato a pressão internacional, pela voz, nada menos, que do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble. Num aviso direccionado de forma implícita aos eleitores gregos, Schauble relembrou que a Grécia "não tem alternativa." O ministro avisou também que "se os gregos recusarem o caminho das reformas" que têm seguido até agora, de acordo com as indicações da Alemanha e da Troika e no âmbito do programa de resgate, "o futuro será mais difícil" uma vez que a Alemanha não estará disposta a ajudar, leia-se manter o programa e o dinheiro emprestado, se tal acontecer. 


Caso o novo governo não consiga um acordo com os credores e a Troika, prevê-se que o país tenha "problema de liquidez" ao longo de 2015, de acordo com Yorgos Petrakis, professor da Universidade da Atenas citado pelo Expresso. A generalidade dos analistas considera que, caso o partido de esquerda Syriza consiga uma vitória ou um lugar numa coligação, as negociações serão impossíveis, uma vez que a esquerda não reconhece a legitimidade ou a moralidade da dívida e pretende, no geral, uma re-estruturação da mesma. O alerta de Schauble poderá ter influenciado o resultado de uma sondagem publicada ontem: o Syriza continua a liderar as intenções de voto, com 28,1% (muito à frente dos valores alcançados em Portugal por PCP e Bloco de Esquerda, em sondagens e #Eleições de 2008 para cá), mas está a perder terreno para o Nova Democracia, com 25,1%. No início do Outono, a coligação de esquerda grega chegou a ter 13% de vantagem nas sondagens.