As eleições legislativas antecipadas na Grécia são já no próximo Domingo. Uma nova sondagem, divulgada no último fim-de-semana, volta a colocar o Syriza, o partido de esquerda, na liderança das intenções de voto, ganhando em relação à Nova Democracia (ND) de centro direita relativamente a sondagens anteriores. O Syriza tem agora 4,5% de vantagem para o ND, contra 3% de outras sondagens. Esta previsão aproxima o Syriza, não só da vitória nas eleições (situação inédita para um partido que começou como minoritário), mas também de uma maioria absoluta, que colocará frente a frente os responsáveis desta chamada "esquerda radical" com os representantes da Troika.


Alexis Tsipras, o líder do Syriza, nasceu em 1974 e é o mais jovem dos líderes políticos gregos. O partido chegou ao parlamento juntamente com a Troika, e à data com 5% dos votos. A esquerda tomou a dianteira dos protestos contra a Troika, a austeridade e os danos pessoais. Contudo, Tsipras tem refreado o caminho da radicalização, e o seu discurso político mais recente tem evitado o não pagamento da dívida, as nacionalizações ou o fim das privatizações. Esta mensagem, aliada ao discurso de apoio aos mais pobres, poderá ter contribuído para que Tsipras tenha conquistado votos ao centro. O Syriza quererá, afinal, evitar uma saída do euro sem negociação e/ou uma declaração de bancarrota. Isso não tem impedido altos responsáveis europeus, como o presidente do BCE Juncker ou os alemães Wolfgang Schäuble e Angela Merkel, de intervir diretamente na campanha, alertando para a necessidade de a Grécia cumprir o que está acordado, mesmo que seja o Syriza a constituir governo. De acordo com a Euronews, a taxa de desemprego grega é de 27% e a dívida representa 177% do PIB.


Ainda relativamente à sondagem do último fim-de-semana, o terceiro lugar nas eleições gregas poderá ser também muito disputado entre o partido de centro, To Potami, e o partido neonazi Aurora Dourada. O partido socialista PASOK e o comunista KKE surgem mais atrás.