Passados nove anos a dirigir os destinos da Alemanha, a principal potência económica europeia, a chanceler Angela Merkel desfruta de uma incomum popularidade entre os seus compatriotas, algo raro num político que leva quase uma década no poder. Esta realidade acaba de comprovar-se numa sondagem realizada pelo ARD, primeiro canal da televisão pública alemã, e cujo resultado foi dado a conhecer no passado dia 10 de Agosto. A sondagem atribui uma aprovação de 74% por cento para a atuação da chanceler. De resto, cerca de 57% dos entrevistados afirmou sentir-se particularmente satisfeito com as políticas de Angela Merkel e do seu Governo de coligação.

Publicidade
Publicidade

Este resultado é um marco relevante na história política da Alemanha, pois desde 1997 - ano a partir do qual o ARD iniciou a divulgação deste tipo de sondagens que medem a popularidade dos governos alemães -, nunca anteriormente um chefe de um Executivo tinha alcançado uma quota de popularidade tão elevada. Este fenómeno, contudo, já começara a desenhar-se na véspera das últimas eleições gerais, realizadas em Setembro do ano passado, que acabaram vencidas pela CDU, partido de Angela Merkel. As entrevistas, pesquisas e previsões realizadas indicavam, desde logo, que a alta percentagem que apresentava os democratas-cristãos da CDU como prováveis vencedores das eleições, devia-se, em grande medida, à imagem que Angela Merkel consegue projetar, parecendo imune a críticas e defeitos que os seus adversários políticos lhe atribuem, e cujos "segredos" têm sido pesquisados, quase até à exaustão, pelos principais media germânicos.

Publicidade

Segundo as sondagens e inquéritos publicados, entre 60 e 70 por cento dos alemães mostraram-se satisfeitos com o trabalho realizado pela chanceler; mas, mais importante, consideraram que Angela Merkel era uma mulher trabalhadora e consensual. Na verdade, a mulher atualmente mais poderosa do mundo - título atribuído, em várias ocasiões, pela prestigiada revista "Forbes" -, representa o protótipo de uma típica mulher alemã: eficiente, pro-ativa, dedicada e boa esposa.

Revistas alemãs prestigiadas como a "Stern" ou a "Der Spiegel", mais diários nacionais de referência, como o "Frankfurter Allgemeine Zeitung", tentam encontrar uma - ou várias - respostas para as origens da popularidade de Angela Merkel. Desde reportagens, artigos de opinião e entrevistas a personalidades conhecidas alemãs, essas publicações procuram enumerar as várias razões que podem explicar a admiração e mesmo carinho que a população alemã sente pela sua chanceler. Assim, de forma resumida, pode concluir-se que os alemães aprovaram, de sobremaneira, a gestão de Angela Merkel durante a chamada crise do Euro, admiram que esteja limpa de escândalos pessoais e que seja discreta e trabalhadora.

Publicidade

Ao mesmo tempo, não se vislumbra quem lhe faça sombra dentro do seu próprio partido e tão pouco na Oposição, o que não deixa de ser um trunfo político, pois não se lhe encontra melhor alternativa.

Segundo os trabalhos jornalísticos que analisamos, Angela Merkel também tem outra virtude. Depois de sentir, na própria pele enquanto cidadã, as falsas promessas de Helmut Kohl - que prometeu, por exemplo, que não subiria impostos para financiar a reunificação germânica, e de Gerard Schroder, que anunciou, quando era chanceler, que "reduziria para metade" o número de desempregados (uma promessa que também não cumpriu) -, Angela Merkel optou por seguir uma estratégia que lhe tem dado resultados: nunca prometer nada que não possa cumprir. A chanceler conseguiu ainda transmitir uma mensagem de segurança aos alemães durante a crise financeira e do Euro que tem "varrido" a Europa comunitária, enquanto a Alemanha regista uma boa situação económica, em resultado, segundo os inquiridos, de um conjunto de leis positivas para o país elaboradas pelo seu Governo.