No passado domingo, dia 29 de Março, foi detido um idoso, junto ao Museu do Prado, um dos principais pontos turísticos em Madrid (Espanha). O detido é um espanhol, de cerca de 80 anos, que costuma andar pela cidade de bicicleta. Preso ao velocípede levava um cartaz, onde dava a conhecer as suas queixas e descontentamentos contra os vários representantes do poder (o #Governo, os políticos, a casa real espanhola ou os bancos) e as suas acções. As denúncias que faz são escritas de forma correta e sem qualquer tipo de insulto. Algumas das suas últimas mensagens, diziam respeito aos cortes na saúde e na educação do Governo de Mariano Rajoy, aos salários dos políticos ou simplesmente questionando o porquê do Metro Madrid fechar durante a noite.

Publicidade
Publicidade

No momento da detenção, a acção da polícia foi questionada por algumas pessoas que estavam no local, que obtiveram respostas como "Nós somos a autoridade e ponto" ou "Nós somos a razão". O detido foi algemado e levado do local. Uma das pessoas que estava no local, foi a jornalista Olga Rodríguez, que tirou fotografias e difundiu o caso através do seu Twitter. O assunto rapidamente se espalhou pelas redes sociais, tendo-se tornado viral. Até ao momento ainda não há informação concreta sobre o que aconteceu ao homem detido.

A LEI DA "MORDAÇA"

Baptizada nas ruas como "lei da mordaça", esta polémica lei foi aprovada na passada quinta-feira, dia  26 de Março, no Congresso Espanhol, sendo o verdadeiro nome Ley de Seguridad Ciudadana. Apesar dos vários protestos dos cidadãos nas ruas do país e das advertências das Nações Unidas para o ataque à liberdade de expressão e das liberdades individuais, que representa, este conjunto de leis, a mesma foi aprovada pela maioria dos deputados do Partido Popular - partido com maioria política em Espanha, do Primeiro-ministro Mariano Rajoy.

Publicidade

Também o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho Europeu, Nils Muinieks, alertou Espanha, lembrando que as novas normas vão contra o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. 

Esta lei considera ilegais quaisquer tipos de manifestações ou marchas não autorizadas, impondo aos participantes duras penalidades, que podem implicar multas até 30 mil euros. A lei permite ainda que manifestações, mesmo que pacíficas, possam ser julgadas como um crime. Num ambiente de austeridade e com greves frequentes, assim como marchas e protestos nas ruas de Espanha, os opositores da lei consideram-na uma afronta ao seu direito de expressar-se.

A "lei da mordaça" dá também mais poder às forças de segurança. Em Espanha, a maioria dos protestos têm sido pacíficos, mas imagens como as forças de segurança a entrarem pela estação de Atocha em Setembro de 2012 e a agredirem muitos protestantes e passageiros, ainda estão presentes na memória de muitos cidadãos. 

A nova lei também apresenta mais restrições aos imigrantes, que podem agora ser "devolvidos" ao país de origem, no mesmo momento em que chegam, sem que seja averiguado o seu historial ou mesmo havendo ameaça à vida ou risco de tortura.

Publicidade

Aliás, o controlo dos imigrantes que chegam a Espanha, vindos de Marrocos, está na base da lei, como justificou o executivo espanhol. #Política Internacional