Uma vez mais o Mediterrâneo volta a ser palco de operações de resgate, algo que tem sido uma constante nos últimos meses. Na passada quinta-feira à noite, a Guarda Costeira italiana teve de voltar a intervir, numa operação realizada com contributos de navios da Alemanha, Irlanda e Reino Unido, salvando 741 pessoas, com proveniência da Líbia, destruída e lançada no caos após a destituição de Muamar Kadafi. Esta é uma Líbia que volta, como tem sido hábito, a servir de base para centenas de pessoas tentarem alcançar território europeu ilegalmente. Os imigrantes estavam a procurar atravessar o Mediterrâneo a bordo de seis embarcações, cinco das quais insufláveis, antes de serem resgatados em segurança no Estreito da Sicília.

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Continua a ser inútil todo o esforço diplomático que tem sido feito e é questionável se há verdadeira determinação para resolver este flagelo de uma vez por todas. A situação vai-se arrastando e fazendo cada vez mais vítimas ou obrigando uma Itália também em crise a acolher centenas ou milhares de pessoas, algumas das vezes quase diariamente, oriundas de todo o continente africano.

A confusão está instalada, sendo já impossível assobiar para o lado. Portugal não é excepção, muitas são as pessoas que questionam as tomadas de posições por parte dos seus representantes políticos relativamente a este tema. Como foi o caso do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, que no passado dia 12 de Maio, aquando da II Cimeira de Presidentes da Assembleia Parlamentar para o Mediterrânio, defendeu que "uma política de imigração mais aberta" na União Europeia é um dever de "justiça moral" e um factor de "dinamismo" económico.

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Quem não aceitou bem este discurso foram muitos dos eleitores e cidadãos nacionais, duvidando da capacidade de integração de um país a braços com uma taxa de desemprego cifrada, actualmente, em 13,6%, segundo dados do Eurostat. Além disso, foram também relembradas algumas célebres frases do primeiro-ministro, como por exemplo o conselho para que os jovens, sem perspectivas e a contas com a precariedade, abandonassem o país em busca de uma vida melhor fora de portas.

Após mais esta notícia, aumenta a pressão para que se arranje uma solução. O tempo esgota e uma vez mais as diversas entidades governativas parecem ser incapazes de tomar decisões firmes, dando a ideia de quererem furtar-se à impopularidade das mesmas. #Governo #Política Internacional