A Grécia atravessa uma grave crise económica, provocada pela enorme dívida pública acumulada. Desde 2010, a Grécia vem recebendo ajuda financeira da Comunidade Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. O país já recebeu mais de 140 mil milhões de euros em ajuda dessas entidades. Actualmente, a Grécia deve um total de 271 mil milhões de euros.

Depois de muitas recusas em seguir com o plano imposto pelo resto da Europa, o país entrou num grande buraco financeiro devido à interrupção do fornecimento de liquidez. Foi perante este cenário que no Parlamento se aprovou um pacote de medidas que significam que as negociações sobre os 86 mil milhões de euros da União Europeia podem começar.

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No entanto, até meados de Agosto o país precisará de cerca de 12 mil milhões de euros para pagar aos credores, incluindo 7,16 mil milhões para pagar ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM), dinheiro que foi suficiente para sobreviver durante Julho. As reformas incluem alterações bancárias e uma revisão do sistema judiciário.

Houve receio de uma rebelião de deputados, mas o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras foi capaz de reunir o apoio necessário. No total, as medidas receberam 230 votos a favor e 63 contra, com cinco abstenções. O debate terminou às 04:00 (hora local). Entre os que votaram contra encontram-se 31 membros do próprio partido Syriza. Estas medidas são uma mistura de reformas económicas e cortes no orçamento exigidos pelos países e instituições da zona do euro antes que as negociações de resgate pudessem continuar.

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Este segundo conjunto de medidas aprovadas na quinta-feira de madrugada é de natureza mais estrutural, incluindo um código de protecção civil que visa acelerar processos judiciais, a adopção de uma directiva da UE para reforçar os bancos e proteger os depósitos de aforros inferior a  100 mil euros e a introdução de regras que apontam os accionistas e os credores bancários, e não os contribuintes, a cobrir os custos de um banco falido. As mudanças no código civil têm como objetivo reduzir os custos e acelerar os processos judiciais. Um dos pontos é a eliminação das testemunhas nos julgamentos civis. Outra medida, relacionada ao sistema bancário, é a introdução de normas que facilitem os leilões de imóveis quando embargados pelos bancos. Uma medida mais controversa é o aumento de impostos para os agricultores.

O próximo prazo da Grécia é a 20 de Agosto, quando deve pagar 3,2 mil milhões de euros em dívida para com o BCE, seguido de um pagamento de € 1,5 mil milhões ao FMI em Setembro. #Política Internacional