O parlamento grego aprovou, na madrugada desta quinta-feira, o acordo "trazido" pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras da reunião do Eurogrupo. A votação terminou por volta da meia-noite em Lisboa (02h em Atenas), representando mais uma maratona para o primeiro-ministro depois da reunião de 17 horas no passado fim de semana. O sim às condições do Eurogrupo recolheu o voto de 229 deputados, com 64 votos contra e 6 abstenções. Metade dos votos contra e todas as abstenções vieram do próprio Syriza, em oposição a Tsipras. O primeiro-ministro contou com o apoio do seu parceiro de coligação (ANEL) bem como da Nova Democracia e do PASOK, anteriormente favoráveis a um novo resgate e à continuação das políticas anteriores.     



De acordo com o Jornal de Negócios, por volta das 02h00 (hora de Lisboa) as bolsas asiáticas já estavam a reagir em alta (estando já em funcionamento, dada a diferença do fuso horário). Nesta quinta-feira de manhã, as taxas de juros da dívida pública portuguesa (e de outros países da Europa do Sul) estavam igualmente a descer, numa reacção positiva à decisão do Parlamento grego.

Alemanha: parlamento também será chamado (actualizado)

Com os holofotes dos média focados em Atenas, esta semana alguns parlamentos nacionais serão igualmente chamados a votar a aprovação da resolução do Eurogrupo. A estabilidade da Zona #Euro não é ainda uma certeza, dadas as reticências que o FMI coloca à solução encontrada (defendendo a necessidade de a Grécia suspender os pagamentos durante 30 anos), entre outros sinais de desconfiança (como a recusa do Reino Unido em participar no apoio a Atenas).



De acordo com vários jornais europeus, entre eles o grego Ekathimerini, o parlamento finlandês já havia decidido, antes da conclusão da reunião do Eurogrupo, recusar a participação num 3.º resgate à Grécia, uma vez que isso significaria um novo empréstimo das finanças públicas finlandesas a Atenas. O ministro das Finanças Alex Stubb não havia revelado oficialmente qual a posição que tomaria, em nome do seu governo, durante a reunião do Eurogrupo, mas várias vozes da sua equipa - nomeadamente o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Timo Soini - defenderam publicamente o Grexit.

Atualização: O parlamento da Finlândia aprovou esta manhã, por volta das 11h20 (hora de Lisboa), o apoio do país ao resgate grego.

Mas também da própria Alemanha chegam discursos dissonantes. Hoje de manhã, e de acordo com a Reuters, o ministro das finanças Wolfgang Schauble indicou que iria apresentar a proposta de resgate ao Reichstag (parlamento alemão), mas sem "convicção total", e repetiu que uma saída temporária de Atenas da zona euro poderia ser a melhor opção. Espera-se que o Reichstag vote esta questão amanhã (sexta-feira), não sendo totalmente segura a aprovação - ainda que tenha sido sob iniciativa da chanceler Merkel que Tsipras tenha aceite o acordo.

Actulizado: esta sexta-feira, o Reichstag aprovou as condições apresentadas por Merkel e Schäuble à Grécia, com 439 votos a favor, 119 contra e 40 abstenções. Note-se que 60 deputados do partido CDU (de Angela Merkel) votaram contra e 5 abstiveram-se, demonstrando claramente que, tal como se verificou no Syriza, esta questão não reúne consenso dentro dos partidos governamentais, com uma boa parte dos deputados a votarem contra as respectivas lideranças partidárias.

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