Foi decidido pelo Parlamento Europeu (PE) esta quinta-feira, 14 de Abril, a criação de uma comissão de inquérito para averiguar denúncias relacionadas com o caso "Panama Papers" (Documentos do Panamá, em Português). Na reunião que juntou o presidente do PE e os líderes das bancadas políticas, a decisão foi tomada por unanimidade. Será votado no próximo dia 4 de Maio o mandato da comissão especial e aprovado a posteriori pelo plenário do PE entre os dias 9 e 12 de Maio.

Recorde-se que o caso Documentos do Panamá é considerado como a maior investigação jornalística até à data - são 11,5 milhões de documentos trazidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Informação, onde surgem nomes de 140 políticos e líderes mundiais.

No passado dia 3 de Abril começaram a ser divulgadas informações de documentos da empresa Mossack Fonseca, com sede no Panamá.

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Este é um escritório de advogados especialista em gestão de capitais e património. Nestes documentos constam informações confidenciais sobre cerca de 215 mil empresas offshore distribuídas por mais de 200 países, referindo que milhares delas foram criadas em paraísos fiscais.

Terminaram esta quarta-feira, 13 de Abril, as buscas aos escritórios da empresa Mossack Fonseca pelas autoridades do Panamá. Contudo, o procurador Javier Caraballo, em declarações à imprensa, revelou não terem sido encontradas "provas contundentes que permitam tomar qualquer tipo de decisão". Segundo o próprio, terão sido recolhidas informações em centenas de servidores da empresa para serem analisadas pelo Ministério Público do Panamá.

Serão feitas investigações com o intuito de confirmar se a empresa fazia a gestão do património de várias personalidades conhecidas à margem da lei.

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Vários sectores criticam a demora das autoridades nas investigações. As buscas feitas aos escritórios da empresa começaram nove dias depois dos Documentos do Panamá terem sido tornados públicos.

Michel Platini, o rei da Arábia Saudita e a tia do rei Filipe VI de Espanha, Pilar de Borbón, são alguns dos nomes presentes nos documentos da Mossack Fonseca. A polémica dos últimos dias sobre as informações dos Documentos do Panamá levou já ao afastamento do Primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson. David Cameron, Primeiro-ministro britânico, também tem sido alvo de contestação, já que os documentos revelaram que o seu pai seria um dos clientes da Mossack Fonseca. #Bancos #Política Internacional