Parece que dia 23 de Junho de 2016 será conhecido no futuro como o dia em que todos falaram sobre referendos à União Europeia. Enquanto o Reino Unido e a Europa aguardam o resultado do referendo à permanência do primeiro na União Europeia, e depois de o político sueco Jimmie Åkesson ter sugerido um referendo semelhante na Suécia, foi a vez do presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, questionar a União Europeia.

Erdoğan afirmou que "podemos tomar uma posição e perguntar ao povo, como fizeram os britânicos". As declarações foram feitas à agência noticiosa estatal Anadolu.

O presidente turco quer saber a opinião dos turcos relativamente à continuação das negociações de adesão da Turquia à União Europeia.

Publicidade
Publicidade

Note-se que as negociações de adesão da Turquia à União Europeia são as mais longas da história do bloco económico, tendo sido iniciadas em 1959 e parecem não ter fim à vista, tendo apenas um capítulo de negociação fechado em 35 capítulos necessários. 

As declarações de Erdoğan sobre este referendo vão ao encontro da linha autoritária e presidencialista levada a cabo pelo próprio. Esta linha de governo tem sido fortemente criticada pela União Europeia, uma vez que se têm verificado atentados às liberdades, direitos e garantias dos media, sociedade civil, minorias étnicas (curdos) e minorias sexuais (LGBTQI).

Se tivermos ainda em conta os Critérios de Copenhaga, critérios fundamentais e de cujo cumprimento depende a adesão de um novo Estado-membro, a Turquia há muito que tem falhado com os mesmos a nível político.

Publicidade

Porém, apesar das recentes declarações de Erdoğan, a União Europeia irá iniciar um novo capítulo de negociações relativas à adesão, em Ancara, subordinadas ao tema das Finanças Públicas e Assuntos Orçamentais. E numa tentativa de contenção de estragos, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavuşoğlu, afirmou que as declarações do presidente Erdoğan não constituíam "uma chantagem ou uma ameaça".

Resta, no entanto, saber de que forma irá Erdoğan agraciar os populistas nacionalistas, que lhe garantem o trono presidencial e o poder dentro do seu partido, sem um referendo. #Política Internacional