Um muro de mais de três metros e meio está a ser erguido em Neuperlach Süd, Munique, para separar uma zona de acolhimento a migrantes da restante comunidade. Os vizinhos do centro de acolhimento, ao saberem do plano de construção do centro de acolhimento, montaram uma campanha e levaram o caso ao Tribunal Administrativo de Munique, que tomou o partido das suas reivindicações, não só aprovando o erguer do muro, mas também deixando claro que os migrantes que vierem a habitar as instalações não devem usar a estrutura "para jogar à bola ou outro tipo de jogos".

As razões apresentadas para a construção da estrutura não estão relacionadas com a segurança dos habitantes locais, mas sim com o conforto sonoro e o preço das casas na zona.

Publicidade
Publicidade

É assumido que o facto de existir um centro de acolhimento baixaria o valor imobiliário da área e que um muro que visualmente esconda esse centro impedirá essa desvalorização. Outra das razões apresentadas é a poluição sonora, daí o impedimento, deixado claro pelo tribunal, de que o muro venha a ser usado pelos migrantes para fins lúdicos como "jogos de bola".

Enquanto o governo de Angela Merkel se esforça por manter uma face humana na tentativa de resolução da questão dos migrantes, repetem-se os incidentes de cariz racista e xenófobo. Na última sexta-feira, um grupo de trinta apoiantes de causas de extrema-direita espancou três jovens refugiados afegãos, em Heidenau, e em Bautzen migrantes foram apedrejados e insultados por habitantes locais.

Se até agora estes incidentes se revelam como reacções espontâneas e condenáveis levadas a cabo por grupos de extrema-direita, a construção de um muro de tal envergadura, suportada pelos argumentos aqui expostos, indicia uma tendência para as próprias instituições públicas caírem numa zona cinzenta de valores, em que, mais ou menos subtilmente, o estado mais forte da União Europeia se aproxima, em acções, daquilo que, em teoria, a União Europeia deveria combater.

Publicidade

Na véspera das eleições para a Casa Branca, e com a visão consensual europeia de que as ideias de Donald Trump sobre imigração são desumanas, a construção de tal muro no centro da Europa e a ausência de de uma reacção de indignação por parte dos media, dos comentadores e das próprias populações, são partes constituintes de uma questão que deveríamos articular sobre o nosso próprio sistema. #Política Internacional #Emigração