Petit, em conferência de imprensa sobre a antevisão ao duelo com o #Sporting em Alvalade, afirmou que o Boavista, "com humildade e saber sofrer sem bola", pode espreitar uma oportunidade e tentar vencer o jogo. É um discurso habitual de qualquer treinador, mesmo que na actualidade sejam "equipas e contextos completamente diferentes. O Sporting é candidato ao título e o Boavista veio do Campeonato Nacional de Seniores", concluiu o técnico axadrezado. Este é daqueles jogos que qualquer jogador quer jogar, que qualquer equipa tem o sonho de surpreender e derrotar o leão na sua própria casa, mas para os homens que vestem a camisola de xadrez, este jogo costuma ser mais um pesadelo.

Desde 1936, ano do primeiro confronto em casa do Sporting (vitória por 9-1 para os leoninos), até ao dia de hoje, que o Boavista só por uma ocasião logrou vencer o seu adversário, no estádio deste. Foi em 1976, já lá vão 39 anos! O Sporting, treinado por Juca, não atravessava o melhor período da sua história, ao invés do Boavista, que por esta altura começava a ser Boavistão. Os axadrezados eram comandados por um trio que deixa enorme saudade: José Maria Pedroto, António Morais e Hernâni Gonçalves. Nessa época, 1975/76, o Boavista lutou até final pelo título perdido para o Benfica por apenas 2 pontos.

O jogo em si foi, dizem as crónicas, bem disputado, equilibrado, com ligeiro ascendente dos visitantes. No Sporting pontificavam Vítor Damas, Augusto Inácio e Manuel Fernandes, enquanto que o Boavista tinha como estrelas Mário João, Manuel Barbosa, João Alves, o luvas pretas, e Salvador, o caçador do leão, autor do golo que deu a vitória por 1-0. O avançado brasileiro, carioca de gema, formado no Flu, ia na quarta de oito épocas de xadrez ao peito. Era uma avançado canhoto, que apreciava deambular da esquerda para o centro, onde, amiúde, aparecia para fazer o gosto ao pé. Foi assim naquela tarde de Janeiro de 1976, a única vez em que o leão não reinou perante o Boavista. Para os axadrezados, que vinham de uma goleada à CUF por 9-0, este foi o 15.º jogo de invencibilidade no campeonato, que seria quebrada logo no jogo seguinte, com uma derrota no Bessa frente ao Benfica por 1-4.

Agora, como referiu Petit, a realidade é bem diferente. O Sporting é um dos melhores dos últimos anos. Tem um orçamento incomensuravelmente superior ao do Boavista, que, vindo dos campeonatos amadores, está a mostrar que a garra, algo que não se compra com orçamentos, é, muitas vezes, o suficiente para surpreender e vencer. Neste domingo, dia 19 de abril, leões e panteras voltam a defrontar-se, num clássico com quase 80 anos de história.