No próximo domingo, dia 26 de Abril, FC Porto e Benfica enfrentam-se naquele que é provavelmente o jogo mais importante do futebol português. E frente a frente, respectivamente no banco de #Benfica e FC Porto, se enfrentarão pela segunda vez nesta época Jorge Jesus e Julen Lopetegui, dois treinadores controversos, polémicos e que podem ser os principais protagonistas do próximo "Clássico Português". Jesus procura o terceiro título à frente dos encarnados, enquanto Lopetegui procura vencer na primeira época em Portugal. Se o FC Porto vencer por 3-0, ou por 2 ou mais golos de diferença se o Benfica marcar pelo menos um golo, sai do estádio da Luz na liderança do campeonato, ainda que em igualdade pontual com os encarnados. 

Enquanto Jorge Jesus demorou até ter a oportunidade para treinar um grande clube, Lopetegui, depois de uma passagem vencedora pelos escalões de formação da seleção espanhola, chegou este ano a um grande clube europeu, naquela que é a sua primeira oportunidade a dirigir um clube de futebol.
Ambos têm em comum o facto de terem sido jogadores antes de serem treinadores, mas neste plano também existem as diferenças. Jesus jogou em clubes como o Estrela da Amadora na 2ª divisão, nunca tendo conseguido jogar ao mais alto nível, queixando-se das lesões que lhe terão inibido a sua carreira como futebolista. Já Lopetegui teve uma carreira marcada por passagens pelos dois maiores clubes espanhóis, Real Madrid e Barcelona, onde ocupou o papel de 2º guarda-redes, tendo vencido títulos como o campeonato espanhol, a Taças das Taças e a Taça do Rei.

Mas no meio das diferenças, também é possível identificar semelhanças, nomeadamente na forma como interpretam o cargo de treinador que ocupam. Quer Lopetegui, quer Jesus são reconhecidos pela teimosia na forma como seguem as suas próprias ideias. O treinador português, apelidado pelo jornal semanal "Expresso" como um "gabarolas dos subúrbios", dificilmente assume que errou em determinados momentos e defende contra tudo e todos as suas ideias. Por diversas vezes, o "mister do Benfica", como gosta de ser chamado, em declarações aos jornalistas já se auto-elogiou e fez monólogos onde expôs as suas teorias e tácticas.

Lopetegui por seu turno, durante a sua passagem durante o Mundial de Futebol em 2006 como comentador televisivo, defendeu que os treinadores que mais triunfam são aqueles que mais controlam e que um bom treinador não pode ser um "mero figurante do clube"; tem de ser alguém com ideias próprias mais interessado em vencder que a agradar a adeptos e presidentes. Em todo o caso, o treinador basco, ao contrário do seu rival do Benfica, não tem especial prazer em contribuir para o espetáculo que sãos as conferências de imprensa. Aquele que foi em Barcelona substituto de Vitor Baía, segue o modelo de Guardiola: "Falar pouco e fazer (vencer) muito". #F.C.Porto


Contudo, quando Jorge Sousa, o árbitro da partida apitar para o fim do jogo que poderá decidir uma época, aí se poderá dizer qual dos dois treinadores sairá feliz. Em caso de vitória, Jorge Jesus passará a ter por completo nas mãos todas as hipóteses de se sagrar bicampeão nacional, algo que o Benfica procura sem efeito há mais de 30 anos. Já se os vencedores forem os azuis e brancos, Lopetegui dará razão a Pinto da Costa, quando apostou num treinador completamente desconhecido do grande público e que poderá garantir o regresso do Futebol Clube do Porto ao rumo dos títulos.

Porém, enquanto Jorge Jesus procura a sua consagração como treinador, apagando da memória os três anos consecutivos onde se ajoelhou aos pés dos títulos consecutivos do FC Porto, Lopetegui ambiciona provar ao mundo do futebol, que mais que um bom treinador dos escalões de formação, é um grande treinador.